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Davide Wüthrich, 27, Itália


“A Itália deveria se inspirar na democracia direta da Suíça”



Por swissinfo.ch




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O italiano Davide Wüthrich é um dos promotores do Parlamento dos Jovens Suíços no Exterior. Ele faz doutorado em engenharia e, embora aprecie muito a democracia direta suíça, critica a facilidade com que se pode criar uma iniciativa popular. 

A democracia direta faz com que todos os cidadãos e cidadãs, independentemente da idade, tenham um instrumento poderoso em suas mãos, afirma Davide Wüthrich, 27, cidadão suíço que vive na Itália. (zvg)

A democracia direta faz com que todos os cidadãos e cidadãs, independentemente da idade, tenham um instrumento poderoso em suas mãos, afirma Davide Wüthrich, 27, cidadão suíço que vive na Itália.

(zvg)

swissinfo.ch: Como membro do novo Parlamento dos Jovens Suíços no Exterior, que objetivos você pretende atingir na Suíça e no país onde você vive?

Davide Wüthrich: Seria muito legal se conseguíssemos desenvolver uma plataforma para interligar os jovens suíços que vivem no exterior. Esta plataforma seria feita por jovens para jovens e poderíamos utilizar as redes sociais da minha geração, como o Facebook, Instagram e Twitter.

Dentro desta comunidade virtual, eu gostaria de participar de discussões. Os temas poderiam envolver desde a vida pessoal dos participantes até temas da atualidade. Seria bom se esta comunidade se tornasse o primeiro local de expressão e troca de opiniões e, posteriormente, de encaminhamento das demandas dos jovens.  As instituições normalmente não prestam atenção nas demandas específicas dos jovens. 

Também seria ótimo organizar eventos conjuntos a fim de nos conhecermos, trocarmos ideias e experiências. Podem até surgir amizades duradouras e em alguns anos, quem sabe, poderemos nos encontrar em algum outro lugar do planeta para tomar uma cerveja juntos.

É muito importante que nós nos sintamos parte integral desta comunidade, da qual cada um pode participar de acordo com sua capacidade. Nós – os jovens suíços no exterior – somos muitos, mas estamos espalhados pelo mundo todo. Cada um vive em condições muito diferentes, mas somos todos suíços, mesmo que às vezes esqueçamos nossas raízes, que ficam em segundo plano por causa dos hábitos e costumes dos países onde vivemos.

swissinfo.ch: Em relação à democracia direta, como é a situação no seu país de acolhimento? Existem instrumentos  que você aprecie em especial no sistema suíço?

D.W.: Eu vivi na Suíça e na Itália. Isso faz com que eu conheça de perto os dois sistemas políticos. Embora sejam países vizinhos, possuem modelos democráticos completamente diversos.

Aos 18 anos comecei  a fazer uso do meu direito de voto nos dois países. Logo percebi que na Suíça eu era chamado às urnas com muito mais frequência do que na Itália; quase demais até. Mas eu tinha a sensação de que o meu voto valia mais na Suíça do que na Itália.

Na itália, elegemos os membros do Parlamento a cada cinco anos. E, neste meio tempo, raramente os eleitores são chamados às urnas. Sem falar que não participamos do processo legislativo. Na Suíça existem normalmente quatro votações federais por ano. O povo participa constantemente do trabalho do Parlamento, pois frequentemente há a necessidade de um veredito do povo.

Na minha opinião, a Itália deveria se inspirar na democracia direta da Suíça, que eu considero algo muito especial. O único problema é a relativa facilidade com que se pode criar uma iniciativa popular ou um referendo, o que faz com que na Suíça, às vezes, tenhamos que votar sobre temas secundários. Isso pode desviar a opinião pública dos temas realmente importantes.

swissinfo.ch: Na maioria dos países, os jovens comparecem muito menos às urnas – para votações e eleições – do que os cidadãos de outras faixas etárias. Não seria justamente a democracia direta um meio para a juventude poder fazer ecoar suas demandas e visões na vida política?

D.W.: Concordo que os jovens deveriam usar mais os instrumentos disponíveis na democracia direta –  como a iniciativa popular – para fazer valer mais a sua voz. Infelizmente o pouco interesse dos jovens pela política é um fato. E isso não ocorre apenas na Suíça, mas em vários países do mundo. Quando alguém deixa de votar não significa que ele ou ela não tenha uma opinião formada sobre o tema da votação. É mais provável que essa pessoa apenas não considere o problema em questão tão importante.  Frequentemente os jovens se distanciam da vida política por não se reconhecerem nas instituições.

A democracia direta põe na mão de todos os cidadãos e cidadãs um instrumento poderoso, independentemente da idade. Nós jovens temos ainda um problema: temos que fazer com que os adultos e as instituições nos levem a sério.

Os grupos de jovens quase sempre têm orçamentos pequenos que restringem seus projetos e atividades. Diante disso, é muito fácil os jovens sentirem-se impotentes. Se eles estiverem mais integrados aos processos de decisão política, seu interesse pela política tende a aumentar e, consequentemente, sua atuação participativa também.  O Parlamento dos Jovens Suíços no Exterior é um passo nesta direção.

Uma plataforma para jovens suíços do estrangeiro

O Parlamento dos Jovens Suíços no Exterior (ASJP) existe há apenas alguns meses. A plataforma de trabalho dos quase 350 membros, espalhados por todos os continentes, é a internet. Mas também há as trocas que se dão através das redes sociais e pelo Skype.

swissinfo.ch entrevistou onze jovens suíços que vivem no exterior e que fazem parte da direção do recém-criado Parlamento dos Jovens sobre a democracia direta na Suíça e nos países onde eles vivem. 

swissinfo.ch: Desde os atentados em Paris, o terrorismo do chamado Estado Islâmico é o tema principal dos debates. A população está insegura e preocupada. Na sua opinião, a luta contra o islamismo, que representa uma restrição à liberdade individual, coloca as democracias em risco?

D.W.: Certamente o aumento do controle do governo para combater os extremistas islâmicos, como tem ocorrido na França e nos Estados Unidos, tem como consequência uma diminuição dos direitos individuais. Mas isso não significa que, numa democracia direta, o povo não possa mais se expressar.

Na minha opinião, temos que levar em consideração que vivemos em um mundo altamente complexo, pleno de interligações internacionais. Às vezes pode ser até contraproducente incluir a população nas decisões sobre temas de difícil compreensão.

Um controle maior da internet e das redes sociais acaba prejudicando apenas aqueles que têm o que esconder. Quem se move dentro da lei não tem o que temer.


Adaptação: Fabiana Macchi

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