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Editorial


A SSR como instrumento da democracia



Por Larissa M. Bieler, chefe da redação




Na Suíça, os meios conservadores de direita gostariam de privatizar a rádio e televisão pública. O assunto é de influência, de controle de programas, de poder e de muito dinheiro. A SSR-SRG é sob pressão, mas não está na defensiva.

A era digital transforma o mundo da mídia. As novas tecnologias autorizam, no fundo exigem, novos formatos, modificam os hábitos de utilização e as condições da concorrência internacional. A Suíça também precisa de mídia de serviço público, mesmo no século 21. Como todas as mídias audiovisuais, a rádio e televisão pública e Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SSR-SRG) está em plena mutação.

Como empresa de mídia de direito público, financiada por uma taxa que a população paga, a SRG-SSR é particularmente solicitada atualmente. “Numerosas forças gostariam de agir sobre a empresa”, confirma

Adrian Zaugg, responsável da estratégia na direção-geral da SRG-SSR. Hoje, a empresa deve não somente trabalhar ativamente nos cenários do futuro e nos desafios da era digital, mas também justificar sua razão de existir. É preciso ainda definir o que é um serviço público moderno. A Suíça e a SRG-SSR (fundada em 1931) devem aguardar alguns meses um debate sobre a questão, solicitado por largos círculos da política, ciências da mídia e editores de jornais. A questão central é qual deve ser no futuro o papel da SRG-SSR e de que SRG-SSR a Suíça precisa.

É principalmente a direita conservadora (SVP), que quer reduzir a rádio e televisão pública. Uma SRG-SSR do tamanho atual, que custa tanto dinheiro, ne se justifica mais no século 21, declarou recentemente a deputada federal Natalie Rickli ao semanário Die Zeit. A deputada do SVP trabalha para a agência de publicidade Goldbach Media - que a revista de mídia Edito descreve como tendo “fortes ideias anti-SRG-SSR” – e preside a “Aktion Medienfreiheit”, que pretende limitar a SRG-SSR a fazer somente o que o setor privado não pode oferecer. Natalie Rickli, que milita por mais concorrência na mídia, declarou ao «Die Zeit» que do ponto de vista da política da mídia, 2016 seria “o ano mais importante desde muito tempo”.

A independência como valor principal

Então, como será a SRG-SSR nos próximos dez anos? Ela encomendou ao Instituto Gottlieb Duttweiler um estudo acerca da importância do papel da rádio e televisão pública no mundo digital. O relatório mostra que as transformações em curso no mundo da mídia abreà SRG-SSR apossibilidade de se posicionar com um verdadeiro instrumento da democracia.  

Ao apresentar esse relatório, intitulado “Public 4.0 – o future da SRG-SSR na era digital”, o diretor-geral Roger de Weck foi franco: politicamente como financeiramente, a SRG-SSR deve continuar independente e acessível a um público amplo. “Hoje, as elites são em sua maioria melhor servidas” disse. Em uma sociedade ao mesmo tempo cada vez mais fragmentada e mais submetida aos monopólios, a SRG-SSR deve manter a função de integração. Essa missão a serviço da coesão social deve ser mantida, “mas deve ser exercida com mais diálogo”. Ou seja, os usuários devem no futuro ser mais integrados à oferta. Essa declaração é fundada no sentido e na função da SRG-SSR como “cimento da sociedade future”, que o estudo revelou.  A SRG-SSR poderia assim contribuir a redefinir a democracia direta no ambiente digital.  

De Weck: “a vontade de mudança”

O estudo do Instituto Duttweiler, encomendado pela SRG-SSR, conclui com uma constatação: “A democracia digital à bem mais direta do que a democracia na forma antiga. Ela vai bem na Suíça. A democracia digital é mais flexível e conectada do que a democracia à maneira antiga. Isso convém a uma SRG-SSR que seria menos um canal do que uma plataforma”. 

A SRG- SSR e swissinfo.ch

A SRG-SSR informa nas quatro línguas nacionais dia e noite sobre assuntos suíços e internacionais no rádio e televisão on-line. Ela tem quase 6.000 funcionários repartidos em toda a Suíça. A SRG-SSR trabalha sob um regime de concessão do governo federal, que lhe prescreve diferentes tarefas. Ela ofereceu colaboração em vários setores aos editores de jornal. SWI swissinfo.ch é uma unidade da empresa autônoma SRG-SSR, com mandato para o estrangeiro. 

O serviço público de amanhã deverá promover a coesão social e diversidade de opiniões acima das barreiras que podem separar a população. Para isso deve continuar a ser financeiramente e politicamente independente, legitimado democraticamente. A revolução digital é também uma chance para o difusor que aposta na qualidade para o grande público. “Nas quatro línguas nacionais, para todas as gerações. A inovação, a cooperação e a vontade de mudança são nossas vantagens”, concluiu Roger De Weck.

swissinfo.ch

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