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País que se reinventa


Jornalista suíço lança livro sobre os desafios do Brasil



Por Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro




Manifestações no Rio de Janeiro, em julho de 2013. (Keystone)

Manifestações no Rio de Janeiro, em julho de 2013.

(Keystone)

Já são cinco anos de publicação, com uma média de dez mil cliques (aberturas de página) por mês. Escrito e editado pelo jornalista suíço Jean-Jacques Fontaine, o boletim eletrônico Vision Brésil vem se consolidando desde 2009 como referência para leitores suíços, franceses, belgas, canadenses ou de outras nacionalidades que recebem textos em francês com análises sobre as diversas facetas da realidade política, social e cultural brasileira.

O acúmulo do jornalista, que já mantinha um blog desde 2007 e também foi correspondente da tevê suíça no Brasil durante boa parte dos anos 80, resultou na elaboração de um livro, “L’Invention du Brésil – de crises en crises, un géant qui s’affirme” (“A Invenção do Brasil – de crises em crises, um gigante que se afirma”, no original em francês) que será lançado em maio na Europa.

Na Suíça, o lançamento do livro, com a presença de Fontaine, acontecerá nas cidades de Genebra (2/5), Lausanne (3/5) e Friburgo (7/5). Entre os dias 12 e 14 de maio haverá três sessões de lançamento em Paris, e outra sessão acontecerá em Bruxelas, em data ainda a ser confirmada pela editora L’Harmattan, responsável pela publicação: “O livro mostra aos leitores francófonos quais são os desafios que o Brasil terá nos próximos anos. É um livro que traz um olhar estrangeiro sobre o Brasil, dirigido ao público estrangeiro que se interessa pelo Brasil. Minha expectativa é que essas pessoas que se interessam pelo Brasil e falam francês possam achar no livro informações que complementem o conhecimento que elas têm sobre o país”, diz o jornalista.

A larga experiência do suíço é a base para os textos: “O livro é baseado em coisas que escrevi no Vision Brésil e em coisas que escrevi nos anos 80, quando era correspondente da Télevision Suisse Romande (TSR) no Brasil. Nele estão temas atuais e temas com o olhar do passado, é uma mistura dos dois. As lembranças dos artigos e reportagens que fiz nos anos 80 servem para mostrar o que mudou e o que não mudou no país. Não há uma abordagem cronológica”, diz Fontaine.

Como método, o jornalista decidiu organizar os textos do livro em função dos quatro principais desafios que, segundo ele, aguardam o Brasil no futuro: “O primeiro é a questão da demografia, pois é um país que está envelhecendo e que também tem o problema de gestão do multiculturalismo, digamos, com o despertar da consciência negra, da consciência indígena e da relação entre pobres e ricos”, diz.

“O segundo desafio é o modelo de desenvolvimento econômico, centrado no mercado interno e privilegiando a exportação de commodities. O terceiro é a questão da proteção da floresta amazônica, saber como proteger a floresta e utilizar de forma sustentável os recursos da Amazônia. O quarto é desenvolver uma democracia cidadã frente a todos os problemas de corrupção e de disputa política”, diz Fontaine, ressalvando que o livro “não é uma tese, é um agrupamento de textos a partir dessas quatro preocupações”.

Reinvenções

Fontaine explica o título que escolheu para o livro: “Tem a ver com as especificidades da criação do Brasil. Eu descobri, por exemplo, que o Brasil existia como colônia portuguesa nos anos 1500, mesmo antes da chegada de Pedro Álvares Cabral. Houve o Tratado de Tordesilhas que separava o mundo em duas partes entre espanhóis e portugueses. O Brasil já estava lá, mas os portugueses não sabiam de sua existência. Então tiveram que inventar”, diz, bem-humorado.

“Uma segunda especificidade muito importante, que é a segunda invenção do Brasil, é a vinda da corte portuguesa ao país em 1808. Portugal foi o primeiro reino europeu que mudou sua capital para uma colônia em um país tropical. Depois, ao longo da história brasileira, há em diversos momentos invenções de soluções para enfrentar os desafios, como o Plano Real, por exemplo, ou a política do governo Lula de redistribuição dos benefícios do crescimento. Para mim é um país que acumula os problemas, mas acumula as invenções também”, continua Fontaine.

Dificuldades

Para conseguir publicar seu livro, o jornalista suíço radicado no Brasil encontrou algumas dificuldades, mas foi persistente. Em determinado momento, após alguns meses esperando uma resposta positiva de alguma editora francófona, chegou-se a cogitar que os leitores do boletim Vision Brésil pudessem adquirir a obra comprando-a diretamente de seu autor. Finalmente, houve o acordo com a editora L’Harmattan: “É claro que o fato de ter o apoio dos leitores do Vision Brésil ajudou a decisão. Mas, qualquer pessoa que quiser publicar um livro hoje se depara com esse tipo de problema”, diz.

Fontaine torce para que o livro alcance um grande público: “A questão da publicação é complicada, porque não é um romance, algo que faça muito sucesso logo de início. Não sou um escritor conhecido. Na França, aparecem mais ou menos 60 mil livros por ano, mas somente entre nove mil e 15 mil chegam às livrarias”, diz, antes de lembrar o esforço que fez pelo lançamento: “Tive que batalhar bastante, mandando o manuscrito para dez ou doze editores diferentes até receber uma resposta positiva”.

No momento, ainda não há previsão de lançamento no Brasil: “Estou com dúvidas sobre isso. Como se trata de um olhar estrangeiro para os estrangeiros, não sei se interessaria muito aos leitores brasileiros. Mas, eu conversei com Jacques Marcovitch, que é professor de Relações Internacionais da USP e fez uma releitura do livro, e ele acha que valeria a pena. Agora, é preciso achar um editor brasileiro que se interesse”, diz Fontaine.

Vivência

O suíço Jean-Jacques Fontaine vive no Brasil desde 2007, quando se aposentou na tevê suíça e decidiu morar no Rio de Janeiro. Desde então, ele e sua mulher, que é brasileira e viveu por 20 anos na Suíça, onde trabalhou na Universidade de Lausanne, viajam regularmente ao país dos Alpes, mas não deixam a base brasileira.

Para o jornalista, o momento profissional é distinto da sua primeira passagem pelo Brasil, como correspondente da TSR nos anos 80: “Desde que decidi me instalar em definitivo no Rio, eu nunca tentei, como jornalista, a concorrência como correspondente de um jornal, televisão ou rádio. Não era o meu interesse. Queria escrever coisas com mais recuo e mais reflexão sobre o que se passa no Brasil e achar um público que se interessa por isso”, diz.

Datas

Veja a programação das sessões já confirmadas de lançamento do livro “L’Invention du Brésil”, do suíço Jean-Jacques Fontaine:

02 de Maio / Genebra (Suíça) – 17h30, Librairie do Boulevard, 34, Rue de Carouge.

03 de Maio / Lausanne (Suíça) – 15h30, Librairie Payot, 4, Place Pépinet.

07 de Maio / Friburgo (Suíça) – 17h30, Librairie Albert Le-Grand. 1, Rue du Temple.

12 de Maio / Paris 8 (França) – 19h, Association France-Amériques, 9-11, Avenue Franklin D. Roosevelt.

13 de Maio / Paris 7 (França) – 18h, Institut des Hautes Études sur l’Amérique Latine, 28, Rue Saint-Guillaume.

14 de Maio / Paris 5 (França) – 18h30, Librairie L’Harmattan, 16, Rue des Écoles.

swissinfo.ch



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