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"Contra a imigração em massa"


Insatisfeitos poderão mudar o resultado dos plebiscitos


Por Chritian Raaflaub


Imigração em debate através do plebiscito de 9 de janeiro. (Keystone)

Imigração em debate através do plebiscito de 9 de janeiro.

(Keystone)

A segunda pesquisa de opinião relativa aos plebiscitos de nove de fevereiro traz surpresas: o apoio à iniciativa "Contra a imigração em massa" da UDC aumentou em seis por cento. A maioria dos eleitores ainda se mostra contrária à proposta, mas o voto ainda pode mudar na última hora.

A mobilização da direita "ocorre de forma massiva", comenta o cientista político Claude Longchamp ao avaliar os resultados da segunda pesquisa de opinião realizada pelo instituto Gfs.bern por encomenda da SSR (Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão), na véspera dos plebiscitos de nove de fevereiro de 2014.

Concretamente, o bloco de eleitores que apoia a iniciativa "Contra a imigração em massa" do Partido do Povo Suíço (UDC, na sigla em francês) aumentou de 37% para 43%, enquanto a oposição está ainda na base de 50% (uma queda de 5%). Trata-se de uma mudança "marcante" em relação à normalidade no país, na qual o grupo contrário às iniciativas sempre cresce.

Pesquisa de opinião da SSR

O instituto Gfs.bern realizou a segunda pesquisa de opinião relativa aos plebiscitos de nove de fevereiro de 2014. Ela entrevistou, entre 20 e 25 de janeiro, um grupo representativo de 1.420 eleitores de todas as partes do país e regiões linguísticas.

As autoridades não disponibilizam mais as coordenadas de suíços do estrangeiro por motivos de proteção de dados privados. Dessa forma, suíços do estrangeiro não participaram da pesquisa de opinião.

Insatisfação, medos e esperanças

A iniciativa pede a reintrodução de cotas para todas as categorias de estrangeiros e coloca em questão os acordos de livre circulação dos trabalhadores firmados entre a União Europeia e a Suíça. Os opositores alertam que a aprovação nas urnas poderá colocar em risco o acordo.

Os analistas consideram extraordinário o fato de que uma grande parte dos eleitores questionados considera que a iniciativa deveria ser levada às urnas de todas as maneiras. "A população de insatisfeitos foi incitada a se manifestar através do voto", avalia Longchamp.

Essa é a típica reação de uma campanha populista, "que expressa e instrumentaliza a insatisfação, ressentimentos, medos, esperança e os atuais conflitos entre as elites e o povo, na qual ela aborda sentimentos e promete soluções simplificadas."

As campanhas a favor e contra a iniciativa da imigração - ou a iniciativa do isolacionismo, como denominam seus oponentes - foram "intensas", avalia o cientista político. Todos os dias são pregados cartazes em espaços públicos ou publicados anúncios. "A atenção da mídia é enorme."

Maioria no Ticino

Uma leitura mais acurada da pesquisa de opinião mostra as diferenças entre as diferentes regiões linguísticas do país. A iniciativa conta, hoje, com uma maioria de 54% na parte italiana da Suíça, enquanto apenas 34% do eleitorado afirma que irá votar "não".

Nas partes germanófonas e francófonas, a maioria do eleitorado ainda se posiciona contrária. Os analistas consideram, porém, que o apoio cresceu desde a realização da primeira pesquisa.

A pesquisa também mostrou que a iniciativa conta com um apoio maior nas regiões rurais do que nos espaços metropolitanos e também do eleitorado de educação média ou baixa.

Previsão impossível

Longchamp ressalta que a pesquisa apenas espelha uma situação política três semanas antes dos plebiscitos, o que dificulta uma previsão acurada dos resultados. O cientista político considera que a mobilização final dos diferentes grupos será decisiva.

A UDC não conseguiu, em sua análise, "conquistar a intenção de voto dos grupos de centro e esquerda". A proposta de lei lançada através da iniciativa é um dos temas centrais do partido, apesar de ter tido apoio de eleitores de outros espectros políticos. Todavia a pesquisa mostra que estes não irão se manifestar através das urnas.

Isso explica as ações promovidas pela UDC nas últimas semanas através de cartazes provocativos, cujo objetivo é mobilizar os grupos de insatisfeitos. A pesquisa mostrou que muitos eleitores sem partido foram influenciados por eles. O apoio deles cresceu de 34% para 49%.

Apoio para o FABI

Segundo Longchamp, essa mobilização tirou votos do segundo tema colocado em plebiscito, a FABI (sigla para "Decreto sobre o financiamento e ampliação da infraestrutura ferroviária da Suíça"). Segundo a pesquisa, 56% do eleitorado apoia a proposta de investimentos na base de 6,4 bilhões de francos. Contudo, os oponentes passaram a 28% do eleitorado. O grupo de indecisos ainda é considerável: 16%.

A cientista política Martina Imfeld, da Gfs.bern considera "surpreendente" esse número elevado. "Isso torna difícil prever o resultado do plebiscito". Com base nas informações atuais, ela apostaria em um "sim".

Um ponto que chama a atenção dos especialistas é a grande aceitação da FABI na parte italiana da Suíça. "O cantão do Ticino tira bastante proveito desse decreto", comenta Imfeld.

Aborto: um claro "não"

O terceiro ponto levado às urnas é a iniciativa popular "Custear o aborto é um assunto privado". Nela houve poucas mudanças do ponto de vista de aceitação ou não do eleitor dessa proposta, que exige a retirada do aborto do leque de serviços financiados pelos seguros obrigatórios de saúde. 36% dos eleitores aprovam a proposta, um por cento a mais do que na primeira pesquisa. Os oponentes correspondem a 58%.

A cientista política não considera surpreendente esse quadro. As opiniões são muito diversas nessa questão, mesmo antes do lançamento da iniciativa. Desde 2002 o aborto é legal na Suíça. Portanto o instituto considera provável a rejeição da proposta nas urnas em nove de fevereiro.


Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch



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