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1° de dezembro Guia tenta ajudar crianças que precisam morar no exterior

Quem acha que só os adultos sofrem com a mudança para um país estrangeiro, está enganado. Crianças sentem sim as agruras de viver longe de casa.

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A paulistana Andrea Kopp veio para a Suíça em 2009, após dez anos vivendo fora do Brasil e passagens por cinco países

(swissinfo.ch)

Um dia a mãe fala para a filha de 12 anos que ela irá se mudar para outro país. “Vocês provavelmente nunca irão se esquecer de quando seus pais jogaram essa bomba em sua cabeça. Minha vida era perfeita, eu não tinha do que reclamar”, relata a americana Isabelle, 12 anos, no livro que pode ser traduzido como O Guia Para Crianças viverem no Exterior (The Kids’ Guide to Living Abroad), da americana Martine Zoer. O relato é feito quando a família da menina foi transferida para Singapura.

Artigo do blog "Suíça de portas abertas"Link externo da jornalista Liliana Tinoco Baeckert.

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De acordo com a autora do livro, existem certos mitos sobre o sentimento infantil diante de mudanças tão profundas quanto a de país, subestimando os efeitos sobre esse público ainda tão vulnerável.

O professor da Universidade de Navarra, Sebastien Reiche, comenta em texto sobre os mitos da flexibilidade de ajuste das crianças. Ele expõe o problema ao citar a blogueira canadense Anne Gillme, que diz que crianças aprendem facilmente uma língua nova, conseguem fazer novos amigos sem esforço. “Naturalmente há alguma razão por trás dessas suposições. Elas provavelmente aprendem idiomas mais facilmente e estabelecem interações sociais de forma mais veloz. Criança tem menos preocupações e preconceitos. Mas isso não anula os riscos de problemas”, explica o professor.

A psicóloga e treinadora Intercultural Andrea Sebben vê a questão sob outra ótica. Para ela, as crianças são espelho dos pais. Por isso, é preciso cuidado por parte dos progenitores de não transferirem seu sofrimento e ansiedade para a criança. “Elas são seres abertos, prontos para mexerem nas dinâmicas já estabelecidas. Mas podem ser influenciadas, dependendo do comportamento dos adultos. Trocando em miúdos: pais que vão embora do país chorando, que exibem a dor da saudade do Brasil na frente dos filhos, podem dificultar a integração”, explica Andrea.

A psicóloga se utiliza da teoria dos vínculos espacial, temporal e social para explicar os efeitos da migração nos pequenos. “O adulto já tem estabelecido um vínculo muito forte do espaço, que é onde ele vive; de tempo, que é o que ele já vivenciou; e social, que são as diversas histórias compartilhadas com amigos ou relações com a comunidade. Se você fosse explicar quem é o Willian Bonner para o seu vizinho faria alguma diferença? Isso é a relação social com o meio. E a criança tem menos isso, por motivos óbvios. Dessa maneira, a probabilidade de se adaptar é maior”, reitera.

Sem alarmismo ou pré julgamentos, o assunto merece atenção. Atualmente a comunidade científica fala sobre a Síndrome da Criança ExpatriadaLink externo (ECS), a Expat Child Syndrom. O termo foi cunhado por psicólogos para descrever um estresse emocional causado em crianças por mudança para o exterior. O quadro se manifesta de muitas maneiras e pode afetar algumas mais que outras. Os sintomas comuns incluem reclusão, solidão, comportamento retraído e não cooperativo ou mesmo perturbador. Na maioria dos casos, elas acabarão se estabelecendo e começarão a entender alguns dos benefícios do processo. No entanto, algumas podem achar muito mais difícil e ter problemas psicológicos por um longo período de tempo.

Experiências Positivas

As brasileiras Andrea Kopp e Janaína Abreu vivem na Suíça e não se arrependem. Elas são exemplos de duas situações diferentes, mas que deram certo. Janaína teve o país como primeiro e único porto, depois de sair do Brasil. Casada com um brasileiro, chegou há dois anos com dois filhos e o marido, transferido pelo trabalho. A família se sente muito bem e tenta aproveitar ao máximo o que o país pode oferecer: passeia muito e se diverte com tantos lugares lindos para serem visitados.

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A família de Janaína se sente muito bem e tenta aproveitar ao máximo o que o país pode oferecer

(swissinfo.ch)

“Os meninos se adaptaram bem e o mais velho está tão integrado que faz diversos cursos extras de instrumentos, esportes e até de jardinagem. Eu gosto tanto de viver aqui que criei um blog, o descobrindoasuíca.comLink externo, para contar minhas aventuras nesse lindo país”, conta.

A paulistana Andrea Kopp veio para a Suíça em 2009, após dez anos vivendo fora do Brasil e passagens por cinco países. Se ela sofreu com tantas mudanças? Ela diz que se estressou sim, mas nunca chegou a ser traumático. A primeira filha também não apresentou problemas devido às mudanças.

“Eu vivi a gravidez em Buenos Aires, longe da minha família. Passei pela mudança de continente com ela ainda bebê. Mesmo com tantos transtornos, não tenho más lembranças. Acredito que eu me adapte bem a condições adversas. Tudo depende do olhar, não só para migração, mas para tudo na vida”, relata Andrea.


Depoimento de uma brasileira que vive na Suíça desde 2016.

“Antes de sair do Brasil, eu sempre ouvia que era para eu não me preocupar com a mudança para a Suíça, que crianças se adaptam muito facilmente e que aprendem o idioma em seis meses. Vim com essa mentalidade.

Chegando aqui, não foi exatamente o que encontrei. Essa adaptação não se dá assim tão automaticamente. Acho muito importante passar essa mensagem para outros pais, porque as coisas podem não se desenvolver como esperamos.

Meu filho saiu do país com cinco anos, exatamente na época que inicia-se a alfabetização no Brasil. Então, a primeira dificuldade prática foi o aprendizado do alemão, já que o pai também é brasileiro.

Como ele é um menino muito falante, o fato de não conseguir se comunicar o afetou muito. Além disso, ele sentia muita falta da família que ficou. Ele nunca reclamava da Suíça mas perguntava quando iríamos embora. Era de cortar o coração.

Mas o que mais matava era o julgamento das pessoas que se dizem amigas. Comentários maldosos do estilo: nossa, mas ele ainda não fala a língua? Com muita pesquisa, descobri que cada criança tem seu tempo, que não se deve acreditar em tudo que se ouve. É importante pedir ajuda profissional.”

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