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13 de junho de 2019 Brasileiras se encontram em Genebra para estimular as oxitocinas

O provérbio africano “Se quer ir rápido, vá sozinho. Se deseja ir longe, vá acompanhado” rege o trabalho e a vida da coach Geisa Mourão. Há quatro anos na Suíça, a empreendedora é a criadora da plataforma colaborativa Oxitocinas, que move mais de 500 mulheres pelo mundo.

público feminino

"O importante é começarmos a tomar as rédeas de nossos sonhos e vontades"

((c)2015 Gillimasters)

Bacharel em Comunicação Social, Geisa basicamente identifica mulheres inspiradoras em vários países, as coloca em contato com outras que queiram se inspirar, promove eventos, palestras semanais online, tudo com o objetivo de ajuda mútua e fortalecimento pessoal.

Ao criar a conexão e auxiliá-las a se reinventarem como expatriadas, Geisa diz que promove o estímulo do hormônio oxitocinas, secretado pela hipófise. Conhecido como "hormônio do amor", tem propriedades ligadas ao vínculo afetivo e ao prazer.

Artigo do blog "Suíça de portas abertas"Link externo da jornalista Liliana Tinoco Baeckert.

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A empreendedora iniciou o projeto em 2017 com mais duas voluntárias. A ideia cresceu, se transformou em uma associação sem fins lucrativos. Dia 14 de junho próximo Geisa e uma equipe de voluntários realizam a terceira edição do encontro anual e principal ação da Plataforma. Seu objetivo é encher o salão Palladium em Genebra com 300 pessoas. Para o grande encontro, conseguiram quatro patrocinadores, alguns do calibre da AirFrance e da Helvetia Seguros. Conta também 20 expositores, empreendedores brasileiros que colaboram financeiramente para mostrar produtos e serviços durante o evento.  

Entre inúmeras reuniões de organização e comercial, Geisa conversou com a swissinfo.ch sobre força interior, expatriação e a união necessária entre as mulheres.

Mulher apresentando banner

A empreendedora iniciou o projeto em 2017 com mais duas voluntárias. A ideia cresceu e se transformou em uma associação sem fins lucrativos

(Fotos na Suíça)

swissinfo.ch: Em que você pensou quando decidiu deixar de ser executiva de multinacional, onde você trabalhou por mais de 20 anos, e entrar para a área de Desenvolvimento Humano?

Geisa Mourão: O desenvolvimento humano sempre me causou curiosidade e encantamento. Eu acredito que cada uma de nós veio a esse mundo para fazer algo, com uma missão mesmo. Não precisa se tornar artista, ter uma notoriedade pública. Mas realizar algo que faça sentido, que goste. Mesmo aquelas mulheres que aparentemente se satisfazem com a maternidade e vida em família, têm muito potencial interno para ser criado e compartilhado com o mundo. Quando não prestamos atenção nessa característica é como se faltasse algo, que não sabemos direito o que seja.

O importante, entretanto, é começarmos a prestar atenção e tomar as rédeas de nossos sonhos e vontades. Quando negligenciamos esse aspecto, adoecemos.

A Plataforma Oxitocinas foi criada com o intuito de unir mulheres. Nós produzimos oxitocinas quando nos ajudamos.

E qual a relação do tema desse ano, que é o Movimento, com a reinvenção das mulheres expatriadas e migrantes?

Os nossos desafios, que somos mulheres que vivemos fora do nosso país, nos levam naturalmente para fora da nossa zona de conforto. O nosso objetivo é justamente mostrar a essas pessoas que existem ferramentas para a reinvenção. E o que seriam esses recursos? Justamente os movimentos que precisamos fazer para nos movermos em direção a um maior bem-estar em diferentes áreas da vida. Criarmos um caminho de sucesso, que é a concretização de nossos objetivos.

Mas veja bem, o conceito de êxito aqui não é fama e dinheiro. É exatamente a disposição e coragem para se levantar e tentar. O que você quer? Seria um mestrado, aprender a cozinhar? Então vamos trabalhar nesses pequenos movimentos para chegarmos lá. Nem que esse passo seja acordar uma hora mais cedo para fazer ginástica e melhorar o humor ou comprar um livro de receitas e começar a testar. Os pequenos movimentos quebram nossas procrastinações diárias.

Como somos mulheres e migrantes, sabemos na pele o grau de dificuldade que é nos reinventarmos quando moramos no exterior. A recolocação profissional não é fácil. O que você diria para essa brasileira que quer recomeçar, que gosta de trabalhar fora, mas tem encontrado dificuldade?

Boa pergunta. (risos) Outro dia, estava assistindo uma entrevista de uma pessoa no Brasil sobre empreendedorismo que dizia: gaste dinheiro e contrate uma babá, divida as tarefas.

Ora, ora... Nós, que moramos no exterior, sabemos que isso é quase impossível por aqui devido ao custo. A vida no Brasil não é fácil, mas fora tampouco. Lavamos, cozinhamos, limpamos, fazemos a própria unha e ainda empreendemos ou trabalhamos fora, além de sermos mãe sem babá ou empregada.

Eu acredito que o segredo é tentar sossegar nosso barulho interno. A decisão do casal foi aceitar a oportunidade de expatriação, a resolução foi largar tudo e se casar com um estrangeiro e viver em outro país? Ótimo. Agora é tentar fazer dessa nova fase algo o mais interessante possível. O que eu posso fazer para melhorar essa vida que tenho agora, mesmo que eu tenha deixado um super emprego no Brasil?

Comparar-se com o passado não dá, porque hoje você está em outro lugar, em outro momento e cultura. Entender essa nova época é um desafio enorme, uma luta diária contra os fantasmas da autodesvalorização. Cada passo de uma vez, devagar e sempre. Por isso a importância de valorizarmos nossos pequenos movimentos que falei lá atrás, como comprar o livro de receitas, ou acordar mais cedo para se sentir mais energizada. Mas não deixe de movimentar-se em seguida. Vida é movimento e sem eles nos transformamos em zumbis.

(swissinfo.ch)

E por que você abraçou a causa das expatriadas, das migrantes?

Eu acho que eu sempre apoiei os pleitos femininos. Eu cresci em um lar de muito amor, porém machista. Meu pai era muito amoroso, mas não queria que eu estudasse jornalismo, por exemplo.

Cresci com esse desejo de independência e a construí. E eis que quando atinjo os 39 anos, me vejo novamente dependente de um homem. Dessa vez do meu marido, que tinha recebido o convite para trabalhar na Califórnia, Estados Unidos.

Mas eu tive que exercer a humildade e aprender que, naquele momento e circunstância, o mais importante não era a independência. Ele de mim, que ficaria com a criação dos nossos meninos; e eu dele, que arcaria com as despesas. A situação mudou de “eu e meu dinheiro” para nós, a família. Fui me reinventar, estudar coaching.

E como você vê esse certo preconceito que o coaching sofre atualmente?

Não sinto que exista preconceito, eu vejo como falta de informação. O coaching tem ganhado muito espaço atualmente e essa massificação tem seu lado bom e ruim. O positivo é que mais pessoas têm acesso. O negativo é que hoje em dia cursos de  fins de semana pretendem transformar pessoas despreparadas em profissionais. Eu, por exemplo, estudei um ano e meio no Instituto for Professional Excellence in Coaching em Los Angeles, escola credenciada ao ICF – International Coaching Federation.

O Coaching é um método sério e libertador. Nos leva a descobrir nossos porquês e como fazer. Porém, existem casos nos quais o cliente está com traumas emocionais do passado profundos. Nesse caso, caberia um psicólogo. Por isso, o Oxitocinas inclui profissionais de diversas áreas. Diversidade enriquece.

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