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50 anos da Associação Suíça de Política Estrangeira "O tempo de abstinência no palco internacional passou"

Poucos países são tão globalizados como a Suíça. Por isso uma política externa ativa é de central importância, explica Christa Markwalder. A parlamentar suíça é a nova presidente da Associação Suíça de Política Estrangeira.

Bandeiras vistas de baixo

A Suíça é um dos países mais conectados do globo.

(Keystone)

swissinfo.ch: Quais são os atuais desafios da política externa da Suíça?

Christa Markwalder.: O mundo está em transição. Depois de décadas de democratização dos países do antigo Bloco do Leste, observamos hoje novas tendências autocráticas. Os Estados Unidos vivem uma presidência conturbada, para não dizer caótica, de Donald Trump. Outros atores além dos Estados se envolvem cada vez mais nos conflitos e guerras da atualidade e hoje você tem guerras por procuração.

"Hoje em dia não é mais possível separar completamente a política interna da política externa. Essa separação parece artificial."

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swissinfo.ch: Então nos encontramos em um mundo bastante caótico, no qual a Suíça deve se encontrar e posicionar?

C.M.: Sim, a Suíça pode contribuir utilizando Genebra como uma plataforma internacional e trazer para a mesa de discussões diferentes partidos em conflito. Ela engaja-se não apenas pela paz, mas também pela prosperidade: empresas suíças estão entre os maiores investidores diretos no exterior e são geradoras de empregos. Já fizemos um bom trabalho através do nosso sistema dual de ensino, que hoje é quase como um produto de exportação da Suíça.

swissinfo.ch: A melhor política externa é não ter uma política externa. Isso é o ensinamento na Suíça há gerações...

C.M.: Isso nunca foi verdade, além de contradizer a realidade no passado e atual. A Suíça é um dos países mais globalizados do mundo. Por isso uma política externa ativa é de extrema importância.

swissinfo.ch: Políticos interessados em relações internacionais têm suas dificuldades na Suíça, não?

C.M.: O que é algo inerente ao sistema. A política externa é uma política claramente transversal, por isso, muito mais abstrata do que outros setores: se alguém se ocupa profundamente da política externa, ela é vista aos olhos dos eleitores como menos relevante do que um parlamentar, por exemplo, que lida com a educação, meio ambiente ou transporte.

Christa MarkwalderLink externo é membro do Conselho Nacional (Câmara dos Deputados) pelo Partido Liberal (FDP, na sigla em alemão) desde 2003. Ela pertence à Comissão de Relações Exteriores, que presidiu de 2010 a 2011. Ela defende os relacionamentos bilaterais, dentre eles com os congressos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Ucrânia. De 2015 a 2016 foi presidente do Conselho Nacional. De 2006 a 2014 presidiu o Novo Movimento Europeu da SuíçaLink externo (Nebs), uma organização que defende a adesão da Suíça à União Europeia.

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swissinfo.ch: Os suíços interessam-se por questões internacionais?

C.M.: Sim e são até bem informados. Graças à nossa democracia direta, os suíços se ocupam regulamente de questões relevantes de política externa e até tomam decisões nas urnas relacionadas a ela.

Uma mulher conversando com um homem

A deputada-federal Christa Markwalder (Partido Liberal) considera a política externa como de extrema importância para o país.

(Keystone)

swissinfo.ch: Na Suíça os eleitores tomam as decisões finais em questões de política externa. Por isso o ministro das Relações Exteriores, Ignazio Cassis, costuma dizer que "a política externa é sempre também a política interna"...

C.M.: Absolutamente. Por um lado, os temas de política interna estão cada vez mais relacionados à política externa. Penso, por exemplo, na Reforma do imposto de empresas III", uma proposta refutada pelos eleitores nas urnas. Penso também no projeto do Conselho Federal (n.r.: o corpo de sete ministros que governa a Suíça), o chamado "Plano fiscal 17". Elas não tratam simplesmente de questões de política interna. Essas propostas estão diretamente relacionadas às políticas fiscais internacionais e europeias. Por outro lado, o apoio da população é muito importante para alcançar os objetivos na política externa: somente se o eleitor disser "não" às propostas isolacionistas é que poderemos fazer com sucesso uma política externa, econômica e defender a Suíça como local de investimento.

swissinfo.ch: Não existe o risco de que a política externa acabe sendo vista apenas um anexo da política interna?

C.M.: No mundo globalizado de hoje em dia é simplesmente impossível separar completamente a política interna da externa. Isso é algo artificial.

swissinfo.ch: Vamos então continuar no tema da globalização: um dos pontos forte da política externa suíça é a forte interligação do país com atores internacionais...

C.M.: A Suíça é um país bastante interconectado. Os números confirmam isso: mais de um bilhão de francos de produtos e serviços atravessam diariamente as fronteiras do país. Além disso, a Suíça tem a maior concentração de multinacionais per capita do globo. Também a Suíça é ativa em foros multilaterais. Há pouco estive com uma delegação parlamentar na sede da ONU em Nova Iorque e pude falar com os representantes suíços sobre as prioridades levadas por eles, da política em Berna, à Assembleia Geral da ONU.

swissinfo.ch: A Suíça ainda tem outros pontos fortes na sua política externa?

C.M.: Outro ponto forte do país é a neutralidade, assim como a interpretamos hoje em dia. Neutralidade não pode mais ser equiparada à passividade. Muitos mais do que isso: nós a entendemos como uma forma ativa de participar do processo de mediação e negociações de paz, assim como proteger e promover a proteção dos direitos humanos. Também a Suíça é uma valorizada potência garante. Assim percebemos o elevado respeito e imagem do país no exterior, especialmente também pelo fato de não termos sido um país colonial no passado e termos sido poupados das guerras mundiais. Nunca termos tido uma política externa agressiva ou alguma espécie de "agenda secreta".

"A Suíça deve ser mais autoconfiante. Uma negociação não deve começar com um compromisso, mas no máximo terminar com ele."

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swissinfo.ch: No que diz respeito às relações da Suíça com a União Europeia, alguém que não conhece o país pode ter a impressão de que a Suíça não tem uma estratégia de política externa coerente...

C.M .: No que diz respeito à União Europeia, a estratégia sempre se adapta às evoluções atuais. Ao fazê-lo, o país concentra-se no viável e menos no desejável. A Suíça, no entanto, tem uma base constitucionalLink externo para a política externa. Ela expressa nossos valores e solidariedade com pessoas de países pobres. Além disso, o antecessor do ministro Cassis, Didier Burkhalter, definiu a estratégia de política externa de 2016 a 2019Link externo.

swissinfo.ch: A Associação Suíça de Política Estrangeira completa 50 anos hoje e a Senhora foi nomeada presidente dela. Qual a política externa defendida pessoalmente pela Senhora, também como parlamentar?

C.M .: Na minha compreensão, a Suíça deve defender seus valores, tanto internamente, quanto frente a seus parceiros estrangeiros. Ela deve envolver-se, participar e exercer os seus direitos, oportunidades e oportunidades. A Suíça deve ser autoconfiante e trazer o charme suíço. Nós temos muitos pontos fortes e qualidades. Não devemos escondê-los. As negociações não começam com compromisso, mas no máximo terminar com eles.

A Associação Suíça de Relações ExterioresLink externo (SGA) celebra seu 50º aniversário. Ela tem estado envolvida desde

Fundada em 1968 para uma Suíça aberta, como ela escreve em seu site.

A organização não partidária e sem fins lucrativos quer promover o interesse pela política externa suíça e torná-la tão compreensível quanto possível a amplas camadas da população.

O SGA organiza regularmente eventos sobre tópicos atuais de política externa.

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Adaptação: Alexander Thoele

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