Acusações de suborno na escolha do Rio como sede olímpica são investigadas


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Homem posa com roupas com a estampa da bandeira do Brasil, no Cristo Redentor, no dia 5 de agosto de 2016

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Papa Massata Diack, filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) Lamine Diack, recebeu 1,5 milhão de dólares de uma empresa ligada a um empresário brasileiro, denunciou o jornal francês Le Monde, reforçando as suspeitas de corrupção na escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016.

Segundo Le Monde, a justiça francesa "dispõe de elementos concretos que colocam em causa a integridade do processo de atribuição da sede dos Jogos Olímpicos" ao Rio de Janeiro em 2 de outubro de 2009 Copenhague.

"Os magistrados suspeitam de manobras destinadas a comprar os votos de membros do COI durante a designação", acrescenta o jornal.

O caso envolve o pagamento, em 29 de setembro (três dias antes da votação da sede), pela sociedade Matlock Capital Group, ligada ao empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, de 1,5 milhão de dólares a Pamodzi Consulting, companhia de Papa Massata Diack, um dos filhos de Lamine Diack.

Na época, Lamine Diack era presidente da IAAF e membro do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Conhecido como "Rei Arthur", o empresário brasileiro é investigado na "Operação Calicute", um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro e que levou à prisão o ex-governador Sérgio Cabral.

De acordo com Le Monde, "César Soares assinou, em alguns anos, vários contratos, por centenas de milhões de euros, com o governo do estado do Rio de Janeiro".

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio-2016 assegurou, em reação às acusações, que a escolha da cidade foi "limpa".

"Temos certeza que a eleição, do nosso ponto de vista, foi limpa. Não fizemos nenhuma ação ilegal. Todos os documentos relativos à campanha, as correspondências, estão abertos" ao público, declarou à AFP Mário Andrada, diretor de comunicação do comitê organizador.

"Esse escândalo é muito mais da Federação de Atletismo do que das eleições do COI. Mas como nesse ano haverá uma eleição crucial para a França, com a disputa entre Paris e Los Angeles (para sediar as Olimpíadas de 2024), imagino que há uma pressão muito grande para esclarecer este caso", criticou.

A justiça francesa abriu um inquérito em novembro de 2015 contra Lamine Diack por corrupção e lavagem de dinheiro. Em dezembro de 2015, a investigação foi estendida sobre a atribuição dos Jogos Olímpicos Rio-2016 e Tóquio-2020.

Além disso, o ex-atleta namíbio Frankie Fredericks recebeu no dia da eleição quase 300.00 dólares da sociedade de Papa Massata Diack, segundo revelações do Le Monde.

A este respeito, "a única ligação do Rio com Frank é que ele foi um dos contadores de votos da eleição de 2009, em que o Rio foi escolhido", explicou Andrada, antes de ressaltar que o namíbio também é membro da comissão de avaliação da candidatura de Paris.

"Nossa posição é de tranquilidade total. Não fizemos nada errado, foi uma eleição limpa, fizemos grandes Jogos, os brasileiros ficaram muito orgulhosos dos seus Jogos, e estamos trabalhando agora pelo legado", garantiu Andrada, ressaltando que a "impressão que tenho é que os investigadores franceses estão cutucando para ver se sai alguma coisa do mato".

Le Monde revela ainda outro pagamento, de 500.000 dólares, igualmente efetuado pela Matlock Capital Group para uma conta bancária de Papa Massata Diack, mas domiciliada na Rússia.

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