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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, discursa na Assembleia Geral, em Nova York, no dia 20 de setembro de 2016

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O histórico Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas está mais perto de se tornar realidade depois que outros 31 países o ratificaram nesta quarta-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas.

O secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, se mostrou otimista de que o Acordo, no qual os países se comprometem a tomar medidas para limitar o aumento das temperaturas, entrará em vigor antes do fim do ano.

"O momento é extraordinário", disse Ban, que convocou uma reunião sobre o Acordo de Paris durante a assembleia anual de líderes na ONU.

"Quando o Acordo de Paris entrar em vigor neste ano, será um grande passo adiante no nosso caminho em direção a um futuro mais seguro, mais equitativo e mais próspero", acrescentou.

O Acordo de Paris, selado no ano passado na capital francesa, obriga os países a tomarem medidas para manter o aquecimento global abaixo de dois graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais.

Os cientistas afirmam que essa meta ainda representa um risco, mas que pode poupar o planeta dos piores efeitos das mudanças climáticas, como inundações catastróficas, tempestades e secas, extinção de espécies e migração de populações humanas.

O ministro de Meio Ambiente e Energia da Costa Rica, Edgar Gutiérrez, disse que o Acordo não era ambicioso o suficiente ante as evidências científicas disponíveis, e pediu que o aumento das temperaturas não ultrapassasse 1,5°C em relação à era pré-industrial.

"As mudanças climáticas já são perigosas, já ultrapassaram a capacidade de muitos países de se adaptarem a elas, já perdemos vidas, estamos perdendo espécies e perdemos terras e edificações", disse Gutiérrez, que falou também em nome da Etiópia e das Filipinas.

Mattlan Zackhras, delegado das Ilhas Marshall, advertiu que, apesar das promessas incluídas no Acordo de Paris, o planeta caminha para um aumento de 3°C.

Isto "apagará meu país e muitos Estados insulares do Pacífico", disse a repórteres.

Entrada em vigor do Acordo

Para que o Acordo entre em vigor, deve ser ratificado por 55 países responsáveis por pelo menos 55% das emissões globais de gases do efeito estufa.

Com as ratificações desta quarta-feira, um total de 60 países já aderiram ao Acordo de Paris. No entanto, estes são responsáveis por apenas cerca de 48% das emissões totais, segundo dados da ONU.

O gabinete de Ban disse que outros 14 países, responsáveis por 12,5% das emissões globais, têm previsto assinar o acordo neste ano, o que pressupõe que o pacto entrará em vigor, a menos que aconteça alguma mudança imprevista.

Entre os países que se somaram ao Acordo nesta quarta-feira, estão grandes países latino-americanos, como Argentina, Brasil e México, assim como grandes produtores de petróleo, como Brunei e Emirados Árabes Unidos.

O Marrocos, que receberá a próxima conferência da ONU sobre o clima em novembro, também passou a integrar a lista.

A União Europeia ratificará o acordo "nas próximas semanas", disse à imprensa o comissário europeu de Ação para o Clima e Energia, Miguel Arias Cañete.

O Acordo recebeu um grande impulso no início deste mês, quando a China e os Estados Unidos, os dois maiores emissores de gases do efeito estufa, o ratificaram durante uma reunião entre os presidentes Barack Obama e Xi Jinping.

Ante a oposição política do partido republicano, Obama teve de recorrer a decretos presidenciais nesta matéria, para regular as usinas elétricas e as emissões no país, entre outros.

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse que os Estados Unidos "reconheceu sua parte de culpa" pelos anos de dificuldades para garantir uma ação global contra as mudanças climáticas.

"Esse é um dos motivos pelos quais o presidente Obama e eu estivemos tão focados e tão comprometidos em tentar fazer a diferença e nos ajudar a chegar onde estamos hoje", disse Kerry nas Nações Unidas.

Kerry apontou os recordes de calor, assim como as crescentes incidências de doenças relacionadas com a água e sua escassez, como motivos para ser ambiciosos na redução das emissões.

"Se alguma vez alguém duvidou da ciência, tudo o que eles têm de fazer é observar, sentir e perceber o que está acontecendo no mundo hoje", acrescentou.

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