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(Abril) O estilista posa em uma loja Pierre Cardin na capital francesa

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Aos 94 anos, Pierre Cardin, decano francês dos estilistas, apresenta no próximo sábado sua nova coleção. "Eu não paro. Como pintor ou escritor, tenho necessidade de me expressar", explica à AFP o estilista mundialmente famoso, que marcou os anos 60 com seu estilo futurista.

Adepto dos longos desfiles, Cardin vai apresentar entre 150 e 200 modelos, a maioria mulheres, no espaço cultural que construiu em frente à antiga estação de trem de Bonnieux, no sudeste da França.

O lugar foi finalmente escolhido por razões meteorológicas, ao invés do castelo do Marquês de Sade, no vilarejo vizinho de Lacoste, que também pertence ao empresário.

"Eu quis fazer uma descentralização", sorri o estilista, instalado em seu escritório em Paris, em frente ao Palácio do Eliseu, onde se acumulam as memórias de uma carreira excepcional de 70 anos: fotografias dele ao lado de celebridades, Fidel Castro de um lado, o poeta francês Louis Aragon do outro, ou ainda páginas dos jornais dedicadas a ele.

Como uma capa da revista Time em 1974, em que aparece entre uma poltrona e um espelho Pierre Cardin, vestindo apenas uma toalha Pierre Cardin em torno de sua cintura, segurando um barbeador elétrico Pierre Cardin. Uma capa que ilustra a diversidade das atividades deste estilista-empresário, que construiu seu sucesso em múltiplas áreas.

Mecenas, amante das artes, embaixador honorário da Unesco e único estilista membro do Institut de France (Academia de Belas Artes), Pierre Cardin continua regularmente, apesar de sua idade, a organizar desfiles em Nova York, Moscou, China, para atender sua clientela internacional.

Seu mais recente desfile de moda em Paris, em novembro de 2013, foi organizada no Maxim's, um famoso restaurante do qual é proprietário.

A moda como 'razão de ser'

"Eu organizo um desfile quando tenho vontade, como os donos de galerias de arte, quando eu estou pronto", diz o homem de olhos azuis, que desenha implacavelmente. "É um non-stop. Eu não paro, é uma necessidade, como um pintor ou um escritor. Eu preciso me expressar", explica ele.

"A razão da minha vida, é a moda", assegura Cardin, filho de imigrantes italianos, que começou sua carreira em 1946 com Christian Dior, onde foi um dos primeiros empregados.

Precursor do prêt-à-porter, voou por conta própria e teve sucesso, especialmente com suas “robes bulles”, vestidos inspirados nas formas esféricas.

A inspiração lhe vem à noite, segundo conta: "Eu vejo formas, materiais, cores, objetos... uma perna de mesa, uma raiz, uma árvore, uma folha, tudo que é matéria me traz ideias. Eu posso ver uma alcachofra e depois fazer um vestido de alcachofra!"

"Eu acendo o abajur e desenho na minha cama. Tenho meu lápis sempre comigo", afirma.

Adequando a ação à palavra, ele pega uma folha e começa a desenhar um modelito, de um traço rápido e seguro.

Modelos que, em seguida, passa para frente com seus assistentes, uma vez que chega ao escritório. "Eu sei cortar, desenhar e costurar. Eu até sei fazer um caseado à mão", ostenta.

"Eu sou um perfeccionista, eu quero dar ordens inteligentes".

Pierre Cardin não se inspira na rua, não tem tempo para olhar para o que os outros estilistas fazem, garante. Seus elogios, ele reserva para o seu contemporâneo André Courrèges, outro grande nome da moda futurista dos anos 60, que faleceu em janeiro. "Eu admirava Courrèges, era quem eu mais gostava como criador. Ele era um verdadeiro criador."

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