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Membros das forças afegãs são vistos em local de explosão na Universidade Americana, em Cabul, no dia 24 de agosto de 2016

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Ao menos 16 pessoas morreram durante um ataque contra a Universidade Americana em Cabul, que durou mais de dez horas e durante o qual estudantes fizeram comoventes pedidos de ajuda.

Este ataque contra este estabelecimento de elite que acolhe 1.700 estudantes não foi reivindicado até agora.

"Dezesseis pessoas, entre as quais 8 estudantes, morreram e outras 53 ficaram feridas", indicou à AFP o porta-voz do ministério da Saúde, Waheed Majroh, acrescentando que algumas estão em estado grave. Um balanço anterior mencionava doze mortos.

O número de agressores não está claro, mas a polícia de Cabul indicou ter matado dois deles durante a operação no campus ao amanhecer.

O exército afegão, assistido por conselheiros militares da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, rapidamente cercou o local.

Centenas de estudantes foram evacuados durante a noite. Alguns aterrorizados e entre lágrimas foram escoltados para fora do campus após o fim do ataque.

"Os estudantes empurravam uns aos outros ao saltar pela janela da sala de aula", conta Farzana, uma jovem que conseguiu escapar.

"Eu não queria saltar, mas outro estudante me empurrou e eu cai. Não me lembro do resto", acrescentou.

- Cenas de pânico -

O ataque começou na noite de quarta-feira com a explosão de um carro-bomba diante da entrada da universidade. Imediatamente dezenas de soldados cercaram o centro de estudos e entraram em busca de criminosos e eventuais reféns.

"Terminamos a operação. Dois criminosos foram abatidos", havia explicado à AFP nesta quinta-feira ao amanhecer o chefe da polícia judicial de Cabul, Fraidun Obaidi.

Centenas de estudantes ficaram presos no ataque - a universidade costuma estar lotada à noite com os jovens que trabalham durante o dia e estudam à noite - e foram liberados progressivamente durante a madrugada, de acordo com informações da imprensa.

"Estamos presos em uma sala de aula (...) Ouvi explosões, disparos perto daqui. Nossa sala de aula está cheia de fumaça e poeira, estamos presos no interior e temos muito medo", afirmou por telefone à AFP um estudante.

Outros estudantes postaram desesperados mensagens de ajuda pelo Twitter. Entre eles Massud Hossaini, fotojornalista da Associated Press e ganhador do prêmio Pulitzer.

"Escapamos com amigos, mas muitos outros companheiros e professores estão bloqueados lá dentro", tuitou o fotojornalista.

"Muitos estudantes foram evacuados", indicou o porta-voz do ministério do Interior, Sediq Sediqqi, ao informar que "forças especiais começaram as operações de limpeza".

A Universidade Americana do Afeganistão começou a funcionar em 2006. Tem intercâmbios com as universidades de Georgetown e Stanford, entre outras, e se apresenta como "a única universidade particular, sem fins lucrativos, apartidária e mista do Afeganistão", república islâmica onde homens e mulheres estão, comumente, separados.

- Ofensiva talibã -

O ataque ocorre duas semanas após o sequestro de dois professores desta universidade privada, um americano e outro australiano, cujo paradeiro é ignorado.

Coincidentemente, os talibãs também lançaram um ofensiva contra o governo afegão, apoiado pelo Ocidente, e multiplicaram os atentados em todo o país.

Os rebeldes ameaçam atualmente a cidade de Lashkar Gah, capital da província de Helmand, defendida por tropas leais a Cabul com o apoio americano.

Helmand é uma das regiões onde mais de produz papoula, base do ópio, fonte de financiamento da revolta talibã.

Milhares de civis fugiram dos combates nesta região nas últimas semanas, gerando uma crise humanitária pela falta de alimentos e água.

Os talibãs também ameaçam outra capital provincial, Kunduz, ponto estratégico no norte do país e que ocuparam de forma efêmera no ano passado, no que constituiu sua maior vitória militar desde que foram desalojados do poder pela invasão de tropas ocidentais em 2001.

As forças da coalizão internacional afirmam que nenhuma das duas cidades, Kunduz ou Lashkar Gah, correm o risco de cair nas mãos dos talibãs.

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