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Equipes de emergência socorrem vítims, em Nice, no dia 14 de julho de 2016

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Os líderes de todo o planeta começaram a reagir, na noite desta quinta-feira, ao "terrível" atentado cometido em Nice, onde um caminhão atropelou dezenas de pessoas, deixando ao menos 80 mortos, no momento em que a cidade comemorava a festa nacional francesa do 14 de julho.

Falando em "monstruosidade", o presidente francês, François Hollande, criticou "um ataque, cujo caráter terrorista não pode ser negado".

"É toda a França que está sob a ameaça do terrorismo islâmico", acrescentou, em pronunciamento transmitido em rede nacional de rádio e televisão.

No Twitter, o premiê francês, Manuel Vall, afirmou: "A cidade de Nice atingida pelo terrorismo no dia de nossa festa nacional. Imensa dor, o país está em luto. Os franceses vão enfrentar".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou "nos termos mais duros o que parece ser um horrível ataque terrorista em Nice, que matou e feriu dezenas de civis inocentes".

"Somos solidários à França, nosso mais antigo aliado, no momento em que ela enfrenta esse ataque", declarou Obama em um comunicado, oferecendo a ajuda dos EUA na investigação para determinar os responsáveis por essa tragédia.

"Sabemos que o caráter da República Francesa vai durar muito tempo depois dessa devastadora e trágica perda de vida", acrescentou Obama.

"Nesse Dia da Bastilha, somos lembrados da extraordinária resiliência e dos valores democráticos que fizeram da França uma inspiração para o mundo inteiro", completou.

O secretário de Estado americano, John Kerry, que assistiu mais cedo ao desfile do 14 de Julho em Paris, criticou um "ataque terrível (...) contra pessoas inocentes durante um dia que celebra a liberdade, a igualdade e a fraternidade".

A ONU condenou, por sua vez, o "covarde e bárbaro" ataque.

O presidente interino, Michel Temer, declarou que o "povo francês foi vítima da mais injustificada intolerância neste 14 de julho".

"É abjeta e ultrajante a ação perpetrada contra inocentes que celebravam os mais elevados valores universais: a liberdade dos povos; a igualdade entre os cidadãos e a fraternidade como elemento das relações entre seres humanos".

"Os assassinos não conseguirão seu intento. Muito ao contrário, apenas reforçarão os laços entre países livres, que buscam a igualdade de condição entre as nações do mundo. E a fraternidade continuará a guiar nossos povos. Hoje, mais do que nunca, somos todos franceses. Irmãos na dor e solidariedade a todos os mortos e feridos, suas famílias e amigos", declarou Temer.

"O Brasil se une a todos que desejam e lutam pela paz e harmonia no mundo. Estamos juntos contra a intolerância e a barbárie", concluiu o presidente interino.

A presidente afastada, Dilma Rousseff, declarou no Twitter que "é com pesar que o mundo assiste, mais uma vez, a um atentado na França, justamente na comemoração da Tomada da Bastilha".

"Não podemos nos deixar amedrontar, nem nos abatermos. O povo francês saberá superar mais esta tragédia".

A primeira-ministra britânica, Theresa May, foi informada sobre esse "terrível incidente", declarou um porta-voz de Downing Street.

"Estamos chocados e preocupados com as cenas lá. Nossos pensamentos estão com aqueles que foram afetados por esse terrível incidente que aconteceu em um dia de festa nacional", afirmou.

"Estamos prontos para ajudar qualquer cidadão britânico e para apoiar nossos parceiros franceses", acrescentou o gabinete.

Um porta-voz do Ministério britânico das Relações Exteriores declarou que "estamos em contato com as autoridades locais e buscando mais informações, após um aparente ataque no Dia de celebração da Bastilha, em Nice".

"Se você estiver na área, siga as instruções das autoridades francesas", acrescentou, em uma mensagem aos cidadãos britânicos.

Segundo o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, o país está em choque.

"Canadenses estão chocados com o ataque de hoje à noite em Nice. Nossos sentimentos estão com as vítimas, e nossa solidariedade, com o povo francês", tuitou Trudeau.

"Estamos com os feridos e com as famílias dos inúmeros mortos", declarou o líder da oposição canadense, Thomas Mulcair, presidente do New Democratic Party, que tem nacionalidade francesa por ser casado com uma francesa.

"Enojado com a notícia de um novo atentado sem sentido. Nesse #BastilleDay, somos todos patriotas da França. Nice, estamos com você", escreveu Bill de Blasio no Twitter.

O governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, também manifestou sua solidariedade e suas condolências, denunciando "um ataque direto contra os valores universais que nossos dois países defenderam há muito tempo".

"É um ataque não apenas contra a França, mas um ataque contra a democracia", acrescentou em um comunicado.

O virtual candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, também reagiu.

"Mais um terrível ataque, desta vez, em Nice, França. Muitos mortos e feridos. Quando vamos aprender? Está apenas ficando pior", afirmou.

Além disso, em virtude do atentado, o magnata nova-iorquino cancelou o evento programado para esta sexta (15), no qual anunciaria o vice de sua chapa.

"Em vista do horrível ataque em Nice, França, adiei a entrevista coletiva de amanhã em relação ao anúncio do meu vice-presidente", postou Trump em seu Twitter.

O embaixador francês nos Estados Unidos, Gérard Araud, tuitou: "Nossas democracias estão sitiadas. Vamos nos ater aos nossos valores mais do que nunca. Liberté, Egalité, Fraternité. Vive la France, vive les Etats-Unis!".

Já o comissário europeu de Negócios Econômicos, o francês Pierre Moscovici, postou em seu Twitter: "O horror voltou a atingir a França, no 14 de julho. Pensamentos emocionados e revoltados pelas vítimas de #Nice".

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