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Gavin Eugene Long abriu fogo em circunstâncias que nesta segunda-feira ainda não estavam claras, quando policiais alertados para a presença de um homem armado na cidade da Louisianna chegaram ao local

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Ex-combatente no Iraque e militante defensor dos direitos dos negros nos Estados Unidos, o perfil do homem que matou neste domingo três policiais em Baton Rouge lembra o do atirador de Dallas.

Gavin Eugene Long abriu fogo em circunstâncias que nesta segunda-feira ainda não estavam claras, quando policiais alertados para a presença de um homem armado na cidade da Louisianna chegaram ao local. Em uma ação ainda inexplicada, matou três policiais - entre eles um negro - e feriu outros três antes de ser abatido no dia em que completava 29 anos.

Este afro-americano serviu cinco anos no Corpo de Marines como especialista em redes de dados a partir de agosto de 2005, segundo seu registro militar. Subiu todos os degraus até a patente de sargento e formou parte das forças americanas mobilizadas no Iraque entre junho de 2008 e janeiro de 2009.

Segundo documentos judiciais obtidos pela AFP, Long se casou em 2009 e se divorciou em 2011.

Iniciou os estudos de comércio em 2012 na Universidade do Alabama, mas não passou de um semestre. "A polícia da universidade nunca teve problemas com ele nesse período", afirmou à AFP Chris Bryant, porta-voz da instituição.

Os investigadores seguem tentando determinar o que levou este homem a Baton Rouge no domingo, já que vivia em Kansas City, Missouri, 1.100 km mais ao norte.

Segundo sua conta do Twitter, havia ido recentemente a Dallas, onde no dia 7 de julho um massacre abalou os Estados Unidos. Naquele dia Micah Johnson, um ex-combatente que havia servido no Afeganistão, matou cinco policiais nesta cidade do Texas, em represália, segundo ele, pelas brutalidades policiais contra os negros.

- Mudança de identidade -

Assim como o criminoso de Dallas, Long pareceu ter intensificado seu interesse nas causas dos negros nos Estados Unidos nos últimos anos e seguia muito atentamente o aumento das tensões entre a minoria negra e as forças de ordem.

No ano passado havia iniciado os trâmites legais para mudar de nome e se converter em "Cosmo Ausar Stepenra", reivindicando, assim, seu pertencimento à Nação Washitaw, um grupo negro americano que reivindica ser uma nação soberana assim como os aborígenes.

Seus focos de interesse também parecem ter mudado lentamente: em um site se descreveu como "um estrategista da liberdade, treinador mental, nutricionista, autor e assessor espiritual".

Seus tuítes mais recentes atacam violentamente os brancos. "A violência não é A resposta (é uma resposta), mas quando você se levanta para que os seus não se convertam em ameríndios... EXTERMINADOS?", escreveu no Twitter em 13 de julho.

Um dia após o massacre de Dallas comemorava na rede social: "o atirador NÃO é BRANCO, é um dos nossos!".

No YouTube e sob o pseudônimo "I Am Cosmo", também publica vídeos nos quais fala das brutalidades policiais contra os negros. Em um deles, que apresenta como se tivesse sido filmado em Dallas, dá conselhos sobre a "manifestação, a opressão e como agir diante da perseguição".

Poucas horas antes de passar à ação, um enigmático Cosmo Ausar Stepenra escreveu no Twitter: "O fato de se levantarem a cada manhã não significa que estejam vivos. E saírem de seu corpo físico não significa que morreram".

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