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Uma ativista indiana que luta pelos direitos humanos encerrou nesta terça-feira a greve de fome que realizava há 16 anos, prometendo que irá prosseguir com sua luta como candidata nas eleições de seu estado natal

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Uma ativista indiana que luta pelos direitos humanos encerrou nesta terça-feira a greve de fome que realizava há 16 anos, prometendo que irá prosseguir com sua luta como candidata nas eleições de seu estado natal.

Irom Sharmila, conhecida como "a Dama de Ferro de Manipur" por sua inquebrantável vontade de denunciar os abusos das forças de segurança que lutam contra a insurgência em Manipur, nordeste da Índia, foi libertada sob fiança depois de prometer em um tribunal que terminaria com seu jejum.

A mulher de 44 anos estava presa por tentativa de suicídio e confinada a um hospital, onde recebia alimentação de maneira forçada através de uma sonda.

Ao sair do tribunal, disse aos jornalistas que seu método de protesto não havia obtido resultados.

"Estive em jejum durante 16 anos achando que podia mudar o sistema, mas agora me dou conta de que não deu nenhum resultado. Por isso, decidi terminar meu jejum e lutar pela causa com a qual me comprometi", afirmou em um discurso pronunciado em sua língua natal, o metei.

Sharmila começou sua greve de fome em novembro de 2000, depois de ver como o exército matou dez pessoas em um ponto de ônibus perto de sua casa em Manipur.

Ela resolveu protestar contra a lei de poderes especiais das Forças Armadas, adotada em 1990, e que permite que os militares disparem ou detenham suspeitos sem ordem judicial.

O estado de Manipur abriga vinte grupos separatistas, que pedem a independência ou autonomia.

Associações internacionais de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional (AI), condenaram esta lei e afirmaram que serviu de pretexto para realizar execuções extrajudiciais.

O ativista da Anistia Internacional V.P. Abhirr afirmou que os protestos da "Dama de Ferro de Manipur" são "um testamento de sua paixão pelos direitos humanos e de sua convicção de que uma lei draconiana como a dos militares locais não tem lugar em nenhuma sociedade".

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