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RO massacre de 20 pessoas, em sua maioria estrangeiras, em um restaurante de Dacca colocou Bangladesh na primeira linha da luta contra o extremismo internacional, apesar da recusa do governo em admitir que existem redes terroristas no país, afirmam os especialistas

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O massacre de 20 pessoas, em sua maioria estrangeiras, em um restaurante de Dacca colocou Bangladesh na primeira linha da luta contra o extremismo internacional, apesar da recusa do governo em admitir que existem redes terroristas no país, afirmam os especialistas.

Nos últimos dois anos várias dezenas de pessoas morreram em Bangladesh nas mãos de extremistas islâmicos, uma onda de violência dirigida particularmente contra blogueiros ateus, hindus, ativistas gays e intelectuais.

Essas mortes não haviam tido grande repercussão fora de Bangladesh, mas o massacre meste fim de semana rodou o mundo, dando aos extremistas a publicidade que eles estavam procurando.

De acordo com analistas, a escolha do local, dia e a maneira de matar foram pensados de modo a obter o máximo de publicidade em um ataque talvez inspirado nos de Orlando (Estados Unidos) e Paris (França).

Dezoito dos 20 civis mortos no café Holey Artisan Bakery eram estrangeiros, mortos a facadas por membros de um grupo de extremistas que também portavam um grande número de armas de fogo.

Os atacantes escolheram o fim de semana do final do Ramadã e separaram deliberadamente os estrangeiros dos bengaleses que estavam no café.

A população de Bangladesh é 90% muçulmana, embora o país seja oficialmente laico.

"Ao decapitar as vítimas queriam mostrar ao mundo que podem ir muito longe em nome da jihad", explica K.G. Suresh, analista da Vivekananda International Foundation, com sede em Nova Déli.

"Atacar um restaurante frequentado por estrangeiros em uma sexta-feira à noite mostra claramente o seu objetivo. E deixando vivos os muçulmanos queriam enviar uma mensagem que só atacarão os ocidentais", indica.

O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou a responsabilidade pelo ataque e disse que era dirigido contra os "cidadãos de Estados cruzados".

No momento, o governo continua a negar a presença do EI ou da Al-Qaeda em Bangladesh, apesar das reivindicações de ambas as organizações de atentados no país.

Foi o caso do ministro do Interior, Asaduzzaman Khan, que no domingo disse à AFP que os seis assaltantes mortos no café pertenciam ao Jamaeytul Mujahdeen Bangladesh, um grupo local banido há mais de dez anos.

Mas os analistas têm sérias dúvidas. De acordo com Taj Hashmi, um especialista em questões de segurança que leciona na universidade americana de Austin Peay, não há "nenhuma ambiguidade" sobre o fato de que o ataque de sábado foi perpetrado pelo EI.

"Bangladesh tem de reconhecer que as redes islâmicas internacionais estão ativamente envolvidas na morte de pessoas no país e que isso ainda não acabou", disse Hashmi.

Enquanto isso, a oposição aponta a falta de democracia como uma das razões para a violência.

O principal partido islâmico foi proibido de participar nas eleições há dois anos e a maioria dos seus líderes estão na prisão ou foram executados depois de vários julgamentos relacionados com a guerra de independência de 1971 contra o Paquistão.

Além disso, a líder da oposição, Khaleda Zia, é perseguida pela justiça por seu papel nas manifestações contra o governo em 2014. O seu partido boicotou as eleições parlamentares desse ano.

De acordo Mubashar Hasan, especialista do Islã político na Liberal Arts University de Dacca, "temos um Estado disfuncional e a falta de democracia o converte em terreno fértil para o terrorismo".

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