AFP

(Arquivo) Patrulha em Bangladesh para impedir a entrada de refugiados rohingyas em fuga de Mianmar

(afp_tickers)

Vários barcos de rohingyas que fogem da violência na região oeste de Mianmar foram rejeitados nesta segunda-feira por Bangladesh, que ignora os apelos para receber esta minoria apátrida muçulmana em seu território.

Milhares de rohingyas entraram clandestinamente na semana passada em Bangladesh, onde denunciaram assassinatos, estupros coletivos e torturas cometidos por soldados birmaneses.

Oito embarcações que tentavam atravessar o rio Naf, a fronteira natural entre Bangladesh e o estado birmanês de Rakhine (oeste), foram recusadas nesta segunda-feira, e outras seis no domingo, informou à AFP o coronel Abuzar Al-Zahid, comandante da Guarda de Fronteira na cidade de Teknaf.

"Havia entre 12 e 13 rohingyas em cada um dos barcos", disse.

As autoridades de Bangladesh calculam que milhares de rohingyas aguardam do outro lado da fronteira para tentar entrar em seu território.

Ignorando os apelos de dentro e fora do país para abrigar os rohingyas, Bangladesh preferiu exigir que Mianmar adote "medidas urgentes" para conter o fluxo de refugiados.

Durante as duas últimas semanas, mais de mil de rohingyas, incluindo mulheres e crianças, tiveram a entrada negada no país.

De acordo com a ONU, 30.000 pessoas foram deslocadas pela violência que deixou dezenas de mortos desde o início da operação do exército birmanês após ataques a delegacias em outubro.

Um representante local da ONU afirmou na semana passada que as ações do exército contra os rohingyas se assemelhavam a uma "limpeza étnica".

Os rohingyas são considerados estrangeiros em Mianmar, apesar da presença de algumas famílias no país há várias gerações.

O pais não reconhece sua cidadania e eles vivem marginalizados da sociedade, em condições de miséria.

O avanço do nacionalismo budista em Mianmar nos últimos anos aumentou a hostilidade contra os rohingyas.

afp_tickers

 AFP