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O vice-presidente americano, Joe Biden, em Ancara, no dia 24 de agosto de 2016

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O vice-presidente americano, Joe Biden, disse nesta quarta-feira (24) em Ancara que "compreende" os "sentimentos intensos" do governo e do povo turcos em relação ao pregador Fethullah Gulen, exilado nos EUA e acusado pelo governo turco de planejar o golpe frustrado de 15 de julho.

A Turquia deverá fornecer mais elementos que incriminem o ex-imã de 75 anos, se quiserem obter sua extradição, acrescentou o vice-presidente.

Segundo Biden, "nenhuma prova" de seu suposto envolvimento no golpe de Estado foi apresentada até agora. Ele garantiu que o governo americano "coopera com as autoridades turcas".

O vice americano lembrou que cabe aos tribunais federais decidir sobre o destino do religioso.

"Não temos nenhum interesse em proteger uma pessoa que prejudicaria um aliado, mas devemos respeitar as exigências em matéria de normas jurídicas" nos Estados Unidos, lembrou.

Esse processo "levará tempo (...) A fúria do povo turco é totalmente compreensível", completou Biden.

A maioria dos turcos parece convencida da responsabilidade de Gulen no episódio, o que o ex-imã nega.

Em entrevista coletiva com o presidente Tayyip Recep Erdogan, Biden afirmou que o tempo que o procedimento vai levar "dependerá das provas que forem apresentadas".

"Até agora, ou seja, até ontem, não havia sido apresentada qualquer prova sobre o golpe de Estado", destacou.

Único membro de alto perfil do governo americano a ter uma relação pessoal com Erdogan, Biden também é a única autoridade ocidental de primeiro escalão a visitar a Turquia desde 15 de julho.

A visita de um dia de Biden ao país buscava melhorar as relações entre ambos os aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), afetadas pela tentativa de golpe e pelos apelos impacientes do governo turco para que os Estados Unidos extraditem Gulen.

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