AFP

Um Boeing 787 é visto em Londres, no dia 12 de julho de 2016

(afp_tickers)

A Boeing, criadora de alguns dos aviões mais emblemáticos do mundo no século XX, comemora seu centenário nesta sexta-feira enfrentando múltiplos desafios para se manter na vanguarda da inovação aeroespacial.

Em primeiro lugar da lista está a europeia Airbus, sua arquirrival que superou a Boeing em pedidos comerciais nos últimos anos e entrou no mercado americano com planos de construção no litoral dos Estados Unidos.

A Boeing também enfrenta duros desafios em defesa, tendo perdido contratos nos Estados Unidos para bombardeiros de longo alcance para o Northrop Grumman, e outro dos Estados Unidos e seus aliados para um novo caça para a Lockheed Martin.

Isso deixou a Boeing apenas com o demorado programa de aviões cisterna KC-46 da Força Aérea Americana, um contrato que tomou controvertidamente das mãos da Airbus.

"O maior desafio da Boeing é a Airbus", disse Loren Thompson, chefe operacional do Lexington Institute. "Se a Boeing superar a Airbus, determinará o futuro da companhia".

Para manter-se forte na defesa, a Boeing deve reforçar suas operações na manutenção de aparatos militares, dizem os analistas.

Nas viagens espaciais, a Boeing enfrenta a concorrência de companhias emergentes como a SpaceX, que tem sido muito agressiva nos preços.

"Tecnologicamente eles estão posicionados, mas ainda não estão bem posicionados em termos de preços" em viagens espaciais, afirma Marco Caceres do Teal Group.

"Eles vão ter que averiguar como torná-las mais baratas, caso contrário não vão poder competir por muito tempo", acrescenta.

A Boeing insiste que se manterá na liderança. Seu chefe-executivo, Dennis Muilenburg, disse ao jornal USA Today em junho que estão fabricando um foguete que levará o homem a Marte.

"É quase 50% maior do que Saturno V, que levou o homem à Lua", comparou.

A Boeing também enfrenta obstáculos no Congresso americano, onde os legisladores tentaram bloquear um controverso contrato para vender ao Iraque aviões por cerca de 25 bilhões de dólares. Isso ocorreu depois de uma longa luta com o Export-Import Bank, que debilitou essa instituição que por longo tempo apoiou a Boeing.

Ícone global

Os analistas dizem que a Boeing continua tendo fama como "ícone global", como destaca Richard Aboulafia do Teal Group.

A Boeing teve uma receita de 96 bilhões de dólares em 2015 e tem uma lista de pedidos no mercado de aviação civil que se acredita que beira os 6 trilhões de dólares nos próximos 20 anos.

Fundada em 15 de julho de 1916 em Seattle por William Boeing como Pacific Aero Products Co., a Boeing evoluiu para se converter no maior exportador dos Estados Unidos.

A companhia cresceu rapidamente durante e depois da Primeira Guerra Mundial, expandindo-se no transporte aéreo, mas foi afetada pelo governo americano em 1934 com medidas antitruste. William Boeing vendeu sua participação na companhia.

A habilidade da companhia para sobreviver sem seu fundador a posicionou para o crescimento quando a Segunda Guerra Mundial disparou a demanda por seus bombardeiros B-17 e B-29.

A forte demanda das Forças Armadas americanas pelos bombardeiros B-47 e B-52 impulsionou a Boeing durante a Guerra Fria.

O crescimento também estimulado por uma sucessão de populares aviões comerciais nas últimas décadas, especialmente o famoso Boeing 747. Mas hoje o panorama da concorrência inclui a rivais menores, como a canadense Bombardier e a chinesa Comac.

afp_tickers

 AFP