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Policiais coletam evidências enquanto pessoas feridas e mortas permanecem no chão no local de uma explosão em um mercado de Davao, ilha sul de Mindanao, no dia 2 de setembro de 2016

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Ao menos doze pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na explosão de uma bomba na noite desta sexta-feira em uma feira de Davao, cidade do sul das Filipinas onde nasceu o presidente Rodrigo Duterte, informaram as autoridades.

A explosão ocorreu antes das 23h00 locais (meio-dia em Brasília) e deixou corpos espalhados em meio a destroços de mesas e cadeiras de plástico em uma rua fechada para a realização da feira, no centro da cidade.

Um dispositivo artesanal causou a explosão, informou o porta-voz presidencial Martin Andanar, acrescentando que traficantes de drogas contrários à guerra de Duterte contra o crime ou militantes islâmicos podem ser os autores.

"Encontramos estilhaços procedentes de um artefato explosivo caseiro", declarou Andanar.

"Há muitos elementos que estão furiosos com o nosso presidente e o nosso governo", disse Andanar à rádio DZMM.

"Não descartamos a possibilidade de que eles [os narcotraficantes e os islamitas] possam ser responsáveis por isto, mas é muito cedo para especular", acrescentou.

Outro porta-voz, Ernesto Abella, confirmou a morte de 12 pessoas e mais de 30 feridos.

Uma testemunha, Adrian Abilanosa, declarou que "a força (da explosão) me jogou pelo ar".

Duterte, que foi prefeito de Davao durante quase duas décadas, estava na cidade nesta sexta-feira, mas não se encontrava na região do ataque.

Após a explosão, Duterte foi "à direção da polícia de Davao para se informar da situação", revelou seu filho e vice-prefeito da cidade, Paolo Duterte.

Davao é a maior cidade do sul das Filipinas, com uma população de cerca de dois milhões de pessoas. Fica a cerca de 1.500 km da capital, Manila.

Os Estados Unidos manifestaram seus pêsames pelas vítimas do atentado.

Davao está na ilha meridional de Mindanao, onde os separatistas muçulmanos promovem há décadas uma rebelião armada que já deixou mais de 120 mil mortos.

Os rebeldes comunistas, que iniciaram uma revolta em 1968, também estão presentes nas zonas rurais de Mindanao.

Desde sua chegada ao poder, em junho, o presidente Duterte tem promovido negociações de paz com os comunistas. Os rebeldes e o governo acertaram, na semana passada, prolongar indefinidamente a trégua decretada com base nestas tratativas.

Duterte também iniciou conversações de paz com dois dos principais grupos rebeldes islâmicos, entre eles a Frente Moro Islâmica de Libertação (MILF).

Ao mesmo tempo, o novo presidente filipino lançou uma ofensiva militar contra o grupo islâmico Abu Sayyaf, criado no início dos anos 90, que declarou lealdade ao grupo Estado Islâmico.

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