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O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, em San Salvador, no dia 12 de abril de 2016

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O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, acusou nesta quarta-feira o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de ser um "traidor" e alertou que ele se transformará em um "ditadorzinho" se impedir o referendo revogatório promovido pela oposição contra seu mandato.

"Negar a consulta ao povo, negar a ele a possibilidade de decidir, te transforma em mais um ditadorzinho, como os tantos que o continente teve", escreveu Almagro em uma severa carta aberta.

Afastado do reservado estilo diplomático, o líder do organismo regional não poupou palavras ofensivas a Maduro, chamando-o de mentiroso e traidor.

"Não sou agente da (agência de inteligência americana) CIA. E sua mentira, mesmo que seja repetida mil vezes, nunca será verdade".

"Presidente, você trai seu povo e sua suposta ideologia com suas diatribes sem conteúdo, é traidor da ética da política com suas mentiras e trai o princípio mais sagrado da política, que é se submeter ao escrutínio de seu povo", acrescentou Almagro.

A oposição venezuelana impulsiona a realização de um referendo revogatório neste ano contra Maduro que, por sua vez, considerou inviável a iniciativa, e decretou um estado de exceção que concede amplos poderes ao governo.

O secretário-geral da OEA convocou Maduro a libertar os dirigentes opositores presos e a devolver o "legítimo poder" ao Parlamento - controlado pela oposição -, despojado de várias de suas atribuições por um mandato da Suprema Corte.

"Que ninguém cometa o desatino de dar um golpe de Estado contra você, mas que você tampouco não dê. É seu dever. Você tem um imperativo de decência pública de fazer o referendo revogatório em 2016", afirmou Almagro.

A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, reagiu chamando Almagro de "escória imperialista" no Twitter.

"Sr @Almagro_OEA2015 cada vez que faz uma declaração destila seu ódio contra a Venezuela e suas autoridade legítimas. Você faz parte da escória imperialista", assinalou a ministra das Relações Exteriores.

Com a hastag "Fora Almagro", Rodríguez declarou que a "palavra povo" não cabe na boca do secretário-geral da OEA, pois "só repete 'livretos' ditados pelos amos imperialistas".

"Você jamais dará ordens à Venezuela!", prosseguiu a chanceler, acrescentando que diante da "falta de dignidade e de coragem", a Almagro "só resta se abrigar nas botas bélicas de seu dono americano!".

O ex-presidente do Uruguai José Mujica entrou na polêmica para defender seu ex-chanceler afirmando que Almagro "não é nenhum traidor, é um advogado escravo do Direito".

Mujica disse que respeita o presidente da Venezuela, mas "isso não equivale a não lhe dizer que está louco, louco como uma cabra". "Estão todos loucos na Venezuela".

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