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(Arquivo) O chefe de gabinete Jorge Burgos

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O chefe de gabinete do governo chileno da socialista Michelle Bachelet, Jorge Burgos, renunciou nesta quarta-feira ao cargo, um ano depois de ter assumido o posto, em meio a divergências pela gestão do Executivo.

"A presidente Bachelet aceitou a renúncia que, por razões pessoais, foi apresentada pelo até agora ministro do Interior e Segurança Pública" Jorge Burgos, afirmou um comunicado oficial do governo.

Para o seu lugar foi nomeado o atual embaixador do Chile para o Uruguai, Mario Fernandez Baeza, advogado e membro, como Burgos, dos democratas-cristãos, um dos partidos da coalizão do governo, que também compreende os socialistas e comunistas.

O ex-ministro havia dado vários sinais de desacordo com a presidente, em particular sobre a gestão do profundo descontentamento e reivindicações na região de La Araucanía (sul), onde a população indígena exige mais autonomia e restituição de terras ancestrais.

Burgos assumiu o cargo em maio do ano passado, quando Bachelet fez uma profunda adaptação de sua equipe, em uma tentativa de resolver a crise de confiança e dar um sinal de moderação na nova fase de seu governo.

Na ocasião, saíram nove dos 23 ministros, incluindo o ministro das Finanças, Alberto Arenas, o primeiro na pasta a não completar o mandato desde o retorno à democracia após a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

A saída de Burgos, que anteriormente serviu como ministro da Defesa no governo de Bachelet, ocorre em meio a um baixo índice de aprovação da presidente socialista, de 24%, afetada pelo escândalo de alegada corrupção política envolvendo seu filho mais velho, Sebastian Davalos, e sua nora, Natalia Compagnon.

O escândalo, referente à compra e venda de terras, eclodiu em fevereiro do ano passado, sem que Bachelet tenha recuperado a confiança do público, apesar do ambicioso programa de reformas sociais em curso, incluindo uma reforma do sistema de ensino reivindicado há anos.

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