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A China anunciou nesta quinta-feira a suspensão parcial do embargo sobre alguns produtos americanos à base de carne bovina, proibição em vigor desde 2003, quando foi detectado um primeiro caso de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), também conhecida como doença da vaca louca, nos Estados Unidos.

A partir de agora estará permitida a importação para a China de produtos americanos de carne bovina, com ou sem osso, de animais com menos de 30 meses, informou a Agência Chinesa para o Controle da Qualidade, Inspeção e Quarentena (AQSIQ).

Em 2006, Pequim reduziu o número de produtos afetados pelo embargo, mas Washington criticou na época uma decisão "muito limitada e insuficiente", argumentando que a carne bovina americana era segura.

O fim da proibição coincide com o aumento do consumo de carne, em particular australiana, na segunda maior economia mundial, onde a classe média, cada vez mais numerosa, está mudando seus hábitos alimentares.

A informação foi divulgada no site da AQSIQ e tem aplicação imediata, o que acaba quase por completo com o embargo, mas com algumas condições, entre elas que os produtos "respondam às exigências chinesas sobre rastreabilidade, inspeção e quarentena".

"Reconhecemos que os Estados Unidos têm uma boa carne bovina, por quê negar aos clientes chineses esta opção?", declarou o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, no início da semana durante uma visita a Nova York, segundo o Wall Street Journal.

Em agosto, o Brasil também retirou o embargo sobre a carne americana.

Durante o embargo, muitos chineses compravam carne bovina americana pela internet e, segundo uma fonte em Washington, grande parte desta carne escapava das restrições de importação.

A China mantém embargos de importação da carne da União Europeia pelos casos de EEB há 15 anos. Mas de acordo com várias fontes, Pequim está negociando com a Irlanda para suspender a medida em breve.

No ano passado, a China foi o segundo país a importar mais produtos agrícolas americanos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), com um aumento de mais de 200% em uma década. O consumo de carne bovina passou de 3 quilos por habitante em 2005 a 3,8 kg em 2016.

A suspensão do embargo e a retomada das exportações são cruciais para os produtores americanos, que enfrentam o excesso de oferta interna e uma considerável queda do preço.

Até 2020, a China deve consumir 2,2 milhões de toneladas adicionais de carne bovina e as importações devem representar 20% do total, de acordo com uma estimativa do banco holandês Rabobank.

"Os preços da carne bovina dispararam e agora são quatro vezes maiores que no ano 2000", destaca o Rabobank.

A China já é o maior consumidor mundial de carne de porco, mas não produz o suficiente para suprir a demanda interna. Nos primeiros quatro meses de 2016, o país dobrou as importações de carne suína procedente da Europa.

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