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(Arquivo) Clint Eastwood, nomeado para melhor fotografia por "Sniper Americano", e Christina Sandera, no tapete vermelho da 87ª Premiação do Oscar, em Hollywood, no dia 22 de fevereiro de 2015

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O ator e diretor Clin Eastwood defendeu Donald Trump das acusações de racismo, e revelou que está inclinado a votar pelo candidato republicano à Presidência.

Eastwood, de 86 anos, admitiu que a retórica incendiária do magnata foi "idiota" em alguns momentos, mas acrescentou que as pessoas estão fazendo uma tempestade em copo d'água e que deveriam "parar com isso".

Em uma entrevista para a revista Esquire publicada na quarta-feira (3), Clint Eastwood disse que as pessoas estão ficando "cansadas do politicamente correto, que fala para agradar. A geração que estamos agora é um saco".

Para Clint, estamos vivendo uma péssima geração. "Todo mundo está pisando em ovos. Vemos pessoas acusando as outras de serem racistas e todos os tipos de coisas. Quando cresci, essas coisas não eram chamadas de racistas", acrescentou.

Trump, que enfrenta a candidata democrata, Hillary Clinton, nas pesquisas nacionais antes da eleição geral de novembro, afirmou repetidamente que o juiz federal Gonzalo Curiel, que está comandando um processo contra a extinta Universidade Trump, é tendencioso porque seus pais nasceram no México.

Ele tem inflamado o establishment político com uma campanha que promete construir um muro ao longo da fronteira com o México, estigmatizando mexicanos e insultando mulheres e muçulmanos.

Expressando suas opiniões, Eastwood parou brevemente de apoiar Trump, mas quando perguntado em quem votaria entre a estrela de reality-show e Hillary, disse: "Tenho que ir com Trump".

Muitas vezes controverso, a estrela de "Dirty Harry" fez uma aparição bizarra na convenção Republicana de 2012, ao entabular uma conversa surreal com um imaginário presidente Barack Obama em uma cadeira vazia.

Milhares de delegados ficaram chocados enquanto o ator e diretor interrogava o imaginária Obama por não conseguir reanimar uma economia enfraquecida.

Mas seu desempenho desmedido provocou escárnio nas redes sociais entre os Democratas e os neutros, que diziam que o diretor vencedor de diversos Oscars por "Menina de Ouro" e estrela de filmes de faroeste como "Pistoleiro sem Nome" tinha perdido a cabeça.

Quando o site de notícias Politico pediu a um porta-voz da campanha de Obama, Ben LaBolt, que comentasse o discurso do Eastwood, ele respondeu: "Referindo-se a todas as perguntas de Salvador Dali."

Eastwood reconheceu que o dublê "bobo" era uma de suas decisões que mais o incomodavam.

Ele explicou que estava esperando nos bastidores, escutando a canção "I Am, I Said" de Neil Diamond, e ficou preocupado de seu discurso ser apenas normal, um apoio comum à nomeação de Mitt Romney.

De repente ouviu Diamond cantar "e ninguém ouviu tudo/nem a cadeira".

"Eu eu fiquei pensando, é o Obama. Ele não vai trabalhar. Ele não vai ao Congresso e faz uma negociação. Que porcaria ele está fazendo sentado na Casa Branca?", disse Eastwood à Esquire.

"Se eu estivesse nesse emprego, iria lá e faria um negócio".

Então decidiu transformar seu discurso em uma conversa filosófica, repreendendo o líder de Estado.

Eastwood, ex-prefeito republicano de sua cidade natal, Carmel, na Califórnia, está atualmente dirigindo o filme "Sully", que será estrelado por Tom Hanks e chegará aos cinemas em setembro.

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