AFP

Ativista sul-coreano mostra uma faixa com a caricatura do líder norte-coreano Kim Jong-Un em uma manifestação dem 15 de abril de 2016

(afp_tickers)

A Coreia do Sul advertiu neste domingo que a Coreia do Norte poderá tentar matar os desertores em resposta às recentes deserções de funcionários de alto nível.

"É altamente provável que a Coreia do Norte realize várias ações para prevenir futuras deserções ou qualquer agitação na população", afirmou uma fonte do ministério sul-coreano da Unificação, citando possíveis assassinatos de ativistas de direitos humanos ou de desertores que se encontram no vizinho do Sul.

Estas advertências acontecem às vésperas de manobras conjuntas dos Estados Unidos e Coreia do Sul, que geram todos os anos um aumento da tensão na península coreana.

A fonte do ministério, que pediu para não ser identificada, disse aos jornalistas que a deserção anunciada na semana passada do número dois da embaixada da Coreia do Norte na Grã-Bretanha, Thae Yong-Ho, colocou o regime comunista numa "situação muito difícil".

"Dado o caráter de (dirigente norte-coreano ) Kim Jong Un, a situação é muito perigosa", afirmou.

Entre as possíveis ações que da Coreia do Norte, segundo a fonte, teria o risco de tentativas de assassinatos ou de atentados contra desertores que vivem na Coreia do Sul, assim como sequestros de sul-coreanos.

A imprensa estatal de Pyongyang afirmou na véspera Thae Yong-Ho recebeu a ordem de voltar a seu país para ser interrogado, pois se trata de um "criminoso".

"Thae Yong-Ho, recebeu grandes somas de dinheiro, estuprou uma menor de idade e espionou em favor da Coreia do Sul", acusou a agência oficial KCNA.

O ministério da Unificação sul-coreano disse que Thae Yong-Ho está na Coreia do Sul com sua esposa e filho.

"Estão sob a proteção do governo e seguirão o procedimento previsto com as instituições competentes", disse à imprensa o porta-voz do ministério, Jeong Joon-Hee.

Este porta-voz não quis dar detalhes sobre o itinerário que Thae tomou, invocando a necessidade de proteger os países envolvidos.

"Para explicar sua deserção, o ministro Thae citou seu asco pelo regime (do líder norte-coreano) Kim Jong-Un, sua admiração pelo sistema livre e democrático da Coreia do Sul e o futuro de sua família", acrescentou o porta-voz.

As deserções de diplomatas do nível de Thae Yong-Ho são extremamente raras.

Por outro lado, também neste domingo, o governo norte-coreano exigiu a repatriação de vários funcionários de um restaurante administrado pela Coreia do Norte que, em abril passado, decidiram não voltar a seu país.

O governo de Pyongyang afirma que esses empregados foram sequestrados, enquanto que a Coreia do Sul garante que pediram livremente para não voltar para seu país.

Trata-se da primeira reação norte-coreana desde que as autoridades sul-coreanas anunciaram esta semana que os norte-coreanos, em sua maioria, mulheres, podiam ir para a Coreia do Sul.

"Os empregados norte-coreanos foram liderados pelos serviços de inteligência sul-coreanos na semana passada", afirmou uma fonte do ministério da Unificação.

"Eles não querem que se saiba o lugar onde se encontram", acrescentou.

"Ocultá-los invocando 'razões de segurança mostra que o anúncio do governo de fantoches é uma invenção", afirmou um porta-voz de um comitê norte-coreano criado para ajudar os empregados a voltar para casa, segundo a agência oficial KCNA.

"Continuaremos lutando para salvar e recuperar nossos cidadãos", acrescentou o porta-voz.

O grupo, integrado por 12 funcionárias e seu chefe, protagonizou a fuga mais numerosa dos últimos anos.

A maioria dos norte-coreanos que chega à Coreia do Sul é interrogada durante vários meses pelos serviços secretos sul-coreanos (NIS) a fim de detectar eventuais espiões.

Antes de começar uma vida nova na Coreia do Sul, passam três meses em um centro de reinserção.

Neste caso, o NIS informou que os treze empregados permanecem detidos por razões de segurança invés de serem enviados para o centro de reinserção.

Na terça, o ministério da Unificação, responsável pelos assuntos intercoreanos, anunciou que os interrogatórios terminaram e que os empregados começaram sua nova vida.

Nos últimos meses foram registrados vários casos de fuga de norte-coreanos para a Coreia do Sul.

afp_tickers

 AFP