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O jamaicano Usain Bolt após competir na semifinal dos 200 metros, nos Jogos Olímpicos do Rio, no dia 17 de agosto de 2016

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O jamaicano Usain Bolt corre nesta quinta-feira os 200 metros em busca de seu segundo ouro nos Jogos do Rio-2016, mas a modalidade 'escândalo' também parece estar na competição, após o incidente ocorrido com quatro nadadores americanos.

Depois de várias versões e declarações contraditórias, a polícia do Rio descobriu que os nadadores americanos que denunciaram ser vítimas de um roubos por policiais, na realidade criaram confusão em um posto de gasolina.

Este escândalo veio à tona algumas horas depois da prisão do dirigente olímpico europeu, Patrick Hickey, por revenda ilegal de ingressos.

E nesta quinta-feira ocorreu o primeiro caso de um medalhista que testou positivo em um exame antidoping. O halterofilista do Quirguistão, Izzat Artykov, bronze na categoria até 67 kg, foi desclassificado e excluído dos Jogos.

Horas depois o ciclista de estrada brasileiro Kléber da Silva Ramos e a nadadora chinesa Xinji Chen também foram desclassificados por darem positivo no antidoping.

Kléber da Silva Ramos testou positivo para o EPO e anunciou que não apelaria, aceitando sua suspensão provisória. Chen testou positivo para o diurético hidroclorotiazida, e também aceitou voluntariamente sua suspensão, mas pediu uma revisão que ocorrerá em 17 de agosto.

Agressão no posto de gasolina

O mistério sobre o que aconteceu com os quatro nadadores americanos foi revelado.

Os atletas olímpicos, na realidade, não foram assaltados, mas participaram de uma confusão em um posto de gasolina, disse nesta quinta-feira o chefe da polícia Fernando Veloso.

"Não houve roubo praticado contra os atletas", disse Veloso diante de dezenas de jornalistas brasileiros e estrangeiros. "As imagens não mostram nenhum tipo de violência contra eles", acrescentou.

O nadador americano Ryan Lochte e três de seus colegas denunciaram um roubo à mão armada na noite de domingo quando retornavam em um táxi para a Vila Olímpica após uma festa na Casa da França.

Mas Veloso desconsiderou essa versão e sustentou que "em teoria, (os nadadores) poderiam terminar respondendo por falsa comunicação de crime e dano ao patrimônio".

A polícia interrogou nesta quinta-feira Jack Conger e Gunnar Bentz, outros dois nadadores americanos, e Veloso afirmou que segundo os atletas, "Ryan (Lochte) era o mais exaltado por estar sob o efeito de bebidas" alcoólicas.

Lochte é o único dos quatro nadadores que já se encontra nos Estados Unidos.

O rei Bolt

Enquanto isso, Bolt tem a pista quase livre no Estádio Olímpico ficando a um passo de uma vitória tripla, o que gravaria seu nome definitivamente na história olímpica. Seu principal adversário, o americano Justin Gatlin, foi eliminado na semifinal de quarta-feira.

"Não estou totalmente surpreso por Gatlin ter ficado de fora. Pensei em um primeiro momento que ele havia se classificado, mas já percebi nos 100 metros que ele estava mais lento", afirmou Bolt após a eliminação de Gatlin.

Com o ouro dos 100 m no peito, o jamaicano busca vitória na corrida dos 200 metros, e na sexta-feira o revezamento 4x100 m. Se Bolt vencer as três provas, repetirá o triunfo como fez em Pequim-2008 e Londres-2012.

O atleta deu um aviso explícito de que virá com tudo na noite de quarta-feira ao se classificar como se estivesse dando um passeio pela praia de Copacabana.

Brasileiras na vela

O Brasil conquistou nesta quinta-feira sua quarta medalha de ouro com a vela, superando a marca de três medalhas, conquistadas em Londres-2012.

A dupla Martine Grael e Kahena Kunze ganhou na categoria 49ER FX da vela, depois de conseguirem se impor na regata decisiva pela medalha, na baía de Guanabara.

Martine, filha de Torben Grael - lenda da vela -, e Kahena, são as primeiras mulheres brasileiras a conquistar um título olímpico nesta modalidade.

México não está para tequila

Em um feito espantoso, o México só conseguiu aparecer no quadro de medalhas catorze dias depois do início dos Jogos. Um verdadeiro fracasso para uma das potências esportivas da América Latina.

Paola Espinosa, que chegou à final do saltos ornamentais e ganhou a prata em Londres-2012 e o bronze em Pequim-2008 na plataforma de dez metros, ficou sem um lugar no pódio.

Por enquanto, somente o boxeador Misael Rodríguez pôde inaugurar a contagem mexicana. E provavelmente não haverá muito mais.

Rodríguez beijou o chão do ringue depois de vencer a medalha de bronze. O lutador teve que pedir dinheiro nas ruas para conseguir pagar sua viagem. "As medalhas conquistadas com o dinheiro das ruas sabem mais", assegurou o mexicano. "E essa tem um sabor melhor por todas as críticas que recebemos".

A glória do Brasil

A seleção olímpica brasileira disputará a grande final do futebol no Maracanã, com o objetivo de conquistar a medalha de ouro, o único prêmio ausente em sua sala de troféus.

No sábado, os brasileiros irão enfrentar a seleção alemã fortalecidos pela goleada por 6-0 contra Honduras, ainda que o fantasma do 7-1 da Copa do Mundo de 2014 insista em aparecer.

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