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(Arquivo) A ex-presidente argentina Cristina Kirchner, em Buenos Aires, no dia 9 de dezembro de 2015

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Uma multidão recebeu na noite desta segunda-feira a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que chegou a Buenos Aires para depor na justiça, na quarta-feira, sobre operações cambiais suspeitas realizadas no final de seu mandato.

Kirchner, procedente da Patagônia, onde vive desde que concluiu seu mandato, em dezembro passado, chegou sorridente ao aeroporto da capital argentina, onde foi recebida por milhares de militantes.

"Voltar, voltar, vamos voltar" - gritava a multidão, que começou a se concentrar no aeroporto horas antes da chegada do voo procedente de El Calafate, a paradisíaca cidade turística da Patagônia, 2.800 km ao sul de Buenos Aires.

Outros milhares de simpatizantes preferiram aguardar a ex-presidente diante de seu apartamento em La Recoleta, um elegante bairro de Buenos Aires.

A Argentina é sacudida por um turbilhão judicial onde os envolvidos são ex-funcionários de alto escalão dos governos de centro-esquerda de Néstor e Cristina Kirchner, que entre 2003 e 2015 marcaram a vida política deste país. As acusações vão de enriquecimento ilícito a lavagem de dinheiro com suspeitas cruzadas de parcialidade de promotores e juízes.

Kirchner foi convocada a comparecer na quarta-feira ao tribunal federal liderado pelo juiz Claudio Bonadío, que a citou por operações cambiárias do Banco Central realizadas nos últimos meses de seu mandato.

Mas a declaração pode ser frustrada se prosperar um pedido de recusa contra o juiz Bonadío, apresentado por outro dos envolvidos no caso.

Bonadío é um magistrado a quem Kirchner tentou destituir várias vezes acusando-o de imparcialidade ante o Conselho da Magistratura.

A Câmara Federal deve resolver a petição e, se ela for aceita, o caso passa para um novo juiz por sorteio e os depoimentos deverão ser remarcados.

A decisão pode ser tomada entre esta segunda e quarta-feira, dia do depoimento de Kirchner, a última a depor entre os treze citados.

Disputa política

Militantes kirchneristas preparam uma gigantesca mobilização diante dos tribunais na quarta-feira, sob slogans épicos de salvação à líder do partido.

"Se a convocam, convocam todos nós", afirmam.

Uma suspensão da convocação pode deixar sem efeito o que seria uma demonstração de força do kirchnerismo.

Fontes do governo citadas pela imprensa local minimizaram a manifestação e explicaram que não estão previstas medidas especiais de segurança para Kirchner além das reservadas a todo ex-presidente.

Outro dos citados por Bonadío é o ex-ministro da Economia de Kirchner, Axel Kicillof, que deve se apresentar na manhã de terça-feira.

O juiz investiga uma suposta fraude milionária contra as reservas do Banco Central por operações cambiárias com dólar a futuro.

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