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(2011) Temer assiste ao discurso de Dilma na cerimônia de posse da presidente

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Ela, guerrilheira com fama de arrogante e inacessível; ele, político veterano com habilidade de transitar pelos labirintos do poder. Dilma Rousseff e Michel Temer, aliados improváveis por quase seis anos, parecem saídos de mundos completamente distintos.

Nas ruas ou nas redes sociais prevalecem as visões extremas.

Segundo o lado de que se observe, a ex-presidente é uma "guerreira", "corajosa" e "digna", ou então uma "incompetente" que destruiu a economia brasileira e "líder de um bando de corruptos que quer transformar o Brasil em Cuba".

Com o presidente empossado Michel Temer acontece a mesma coisa: é um "golpista traidor", que chegou ao poder sem a legitimidade dos votos, apesar de ter sido eleito como vice de Dilma, ou um respeitado professor de Direito Constitucional que, armado com sua experiência política, trará de volta ordem ao país depois de meses da pior crise política e econômica de sua história.

"É uma pessoa com grande capacidade de diálogo, que sabe conversar e, principalmente, escutar; é muito humilde neste sentido. E essa é uma grande diferença em relação a Dilma", assegura à AFP a senadora Simone Tebet, do PMDB de Temer, a quem conhece desde os tempos de estudante.

"Não se pode compará-los", protesta, por sua vez, a senadora Gleisi Hoffmann, militante ferrenha do PT de Dilma, de quem foi chefe de gabinete.

"Temer não tem legitimidade nem firmeza. Um homem que traiu sua companheira de chapa não tem como governar o país", declara à AFP.

Com trajetórias tão distintas, Dilma e Temer tiveram o curioso destino de se encontrar cara a cara e de serem os protagonistas de um dos momentos mais dramáticos da democracia brasileira.

- Sem vestígios de carisma -

Mas é melhor evitar a construção de estereótipos em preto e branco, adverte o analista político André César, que acompanha de perto os governantes em Brasília.

"Porque também podemos falar de semelhanças: tanto Dilma como Temer têm pouquíssimo carisma e são oradores muito ruins", disse.

"Não conseguem expressar plenamente uma mensagem, nem são simpáticos; ambos são duros no tratamento, embora talvez Dilma seja um pouco mais pungente. Mas agora que assumiu de maneira definitiva, talvez Temer também se torne mais severo, sem a 'timidez' de quando era interino", completou.

Um garçom que trabalha há quase 20 anos para a presidência no Palácio do Planalto contou à AFP que "nenhum dos dois é simpático, mas Temer é um pouco mais".

"Como foi deputado, sabe tratar as pessoas, cumprimenta mais", disse em um dos salões do palácio, bandeja na mão, ao recolher xícaras de café.

- Como a água e o vinho -

Ponto para as diferenças: Dilma é economista e se formou politicamente na clandestinidade da ditadura militar (1964-1985). Foi guerrilheira, esteve detida e foi torturada nos calabouços do regime.

"É uma história de vida bonita e dramática, que eu admiro muito. E esta história moldou seu caráter e sua marca política. Como presidente, era bastante inacessível", relata César.

A senadora Gleisi Hoffmann complementa: "É uma mulher forte, determinada e perseverante. Pode ser dura e ter um caráter difícil, mas não é muito diferente de outras pessoas que têm altos cargos de responsabilidade, embora como é mulher a critiquem mais".

"Mas sim, fez falta esta paciência que é preciso ter para a política", reconhece.

Temer se formou no mundo acadêmico e entrou na vida pública no início dos naos 1980 com o PMDB, partido de centro por excelência, que esteve nas altas esferas do poder desde o fim da ditadura.

"Chegou a ser três vezes presidente da Câmara dos Deputados e isso lhe deu uma experiência de negociação muito diferente. Sabe conversar com o Legislativo, ao contrário de Dilma, e esta foi uma das razões centrais que provocou sua queda", argumenta César.

Nem Dilma, nem Temer parecem se sentir confortáveis diante das câmeras e compartilham baixos níveis de aprovação nas pesquisas. Também se mostram pessoas carinhosas com suas famílias e são amantes da literatura: Dilma é uma leitora ávida e Temer publicou até livros de poesia.

"Mas são muito diferentes, são como a água e o vinho", afirma a senadora Tebet.

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