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(9 ago) Comando das Forças Armadas da Síria faz uma visita a Aleppo acompanhado do ministro da Defesa (2d)

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A batalha por Aleppo é a mais importante para o regime e para os rebeldes desde o início da disputa bélica na Síria, em 2011, mas pode se transformar em uma guerra de desgaste sem vencedores.

Os dois grupos estão concentrando tropas e tentarão por todos os meios se apoderar desta localidade dividida desde 2012 entre os bairros do oeste, em poder do regime, e os do leste, sob o controle dos insurgentes.

Pontos fortes dos rebeldes

Nesta batalha, o Exército da Conquista (Jaish al-Fateh) é a principal força que luta contra o regime. Em 2015 conseguiu expulsar as tropas governamentais da maior parte da província de Idleb (noroeste).

Jaish al Fateh é uma coalizão que reúne uma dezena de facções jihadistas e rebeldes apoiadas por Arábia Saudita, Catar e Turquia.

Entre estes grupos destaca-se a organização extremista Fateh al Sham (ex-Frente al-Nosra, que se desvinculou recentemente da Al-Qaeda) e os salafistas do Ahrar al Sham.

Segundo especialistas militares, a coalizão conta com entre 30.000 e 40.000 homens bem treinados e muito motivados, 10.000 dos quais em Aleppo. Também inclui milhares de jihadistas procedentes do exterior.

Dispõe de tanques, de transporte de tropas e de artilharia apreendida em parte do exército sírio, assim como de mísseis antitanques TOW de fabricação americana.

Segundo o especialista Charles Lister, o Jaish al Fateh recebeu "pela primeira vez", para a batalha de Aleppo, armas de fabricação americanas reservadas até agora às forças que lutam contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Mas suas armas mais eficazes são os veículos bomba e os ataques suicidas.

Potência de fogo do regime

Do lado do regime, a batalha de Aleppo corre a cargo do exército e das milícias das Forças de Defesa Nacional (FDN), assim como dos combatentes procedentes do Irã, do Iraque e do Hezbollah libanês.

Segundo o Almasdarnews, um site pró-regime geralmente bem informado, as forças governamentais levaram 100 tanques e 400 transportes de tropas a Aleppo, onde possuem entre 30.000 e 40.000 homens. Alguns são soldados confiantes, enquanto outros são recrutas pouco motivados.

O exército possui tropas compostas por milhares de homens completamente leais ao coronel Suhail Hasan (apelidado de Tigre), além dos integrantes da Guarda Republicana, das forças especiais e das de al Radwan, unidades de elite do Hezbollah, acrescenta o site.

As forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, estão dotadas de uma potência de fogo enorme, com tanques, artilharia e sobretudo aviação, uma vantagem considerável diante dos rebeldes, que carecem de aviões. Além do apoio da Rússia.

O que está em jogo?

Os dois grupos têm muito em jogo.

"Para os rebeldes, não é possível deixar seus irmãos cercados em Aleppo", afirma Fabrice Balanche, geógrafo especialista em Síria.

"Acreditava-se que Aleppo seria a Benghazi síria, de onde os rebeldes fariam o regime cair. Se a perderem completamente, suas zonas no norte da Síria encolherão", explica Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, referindo-se à segunda cidade da Líbia, na qual foi anunciada a captura e a morte do líder Muanmar Kadhafi.

Para o regime, se Aleppo cair "entrará em uma dinâmica de vitória", informa este especialista do Washington Institute. "Retomar Aleppo significa poder depois cercar os rebeldes na província de Idleb. Trata-se de demonstrar sua força a toda a Síria".

Além disso, "a tomada de Aleppo permitira ao grupo de Assad estar em posição de força em negociações internacionais. Trata-se de colocar a nova administração americana diante do fato consumado em janeiro", afirma.

Quem vencerá?

A batalha se anuncia sangrenta, e sobretudo longa.

"O regime segue limitado pela falta de efetivos. Retirou defesas no sul para se dirigir à estrada de Castello", em Aleppo, segundo Yazid Sayegh, especialista do Centro Carnegie para o Oriente Médio.

"Ao mesmo tempo, é impossível que a oposição possa tomar toda a cidade de Aleppo, pelo mesmo motivo que o regime", em particular por falta de efetivos, mas também por "uma potência de fogo limitada e uma região governamental muito mais populosa que a parte rebelde".

O objetivo anunciado da oposição de tomar a cidade "não é realista no curto prazo, a não ser que as defesas pró-governamentais caiam de repente, o que é pouco provável", estima Thomas Pierret, especialista em Síria.

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