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(Arquivo) Vista aérea de hotéis de luxao nas Maldivas, no dia 9 de setembro de 2013

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Os recifes de coral nas Maldivas estão sob estresse severo, depois de terem sofrido um branqueamento em massa neste ano, devido ao aumento da temperatura das água do mar, advertiu a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) na segunda-feira.

Cerca de 60% das colônias de corais das Maldivas sofreram branqueamento, informou a IUCN em um comunicado, acrescentando que este índice chega a 90% em algumas áreas.

A organização citou dados de uma pesquisa que realizou com o Centro de Pesquisa Marinha das Maldivas (MRC) e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

"As descobertas preliminares sobre a extensão do branqueamento são alarmantes, com registros de mortalidade inicial de corais", disse Ameer Abdulla, líder da equipe de pesquisa e consultor sênior da IUCN sobre biodiversidade marinha e ciência da conservação.

"Estamos esperando que essa mortalidade vá aumentar se os corais branqueados forem incapazes de se recuperar", acrescentou.

O branqueamento ocorre quando condições ambientais anormais, como temperaturas mais altas, levam os corais a perderem as algas microscópicas que vivem em grandes colônias em sua superfície.

Estas algas, chamadas de dinoflageladas, servem de alimento e são responsáveis pelo colorido exuberante que alguns desses seres apresentam.

Os corais branqueados correm o risco de morrer se as condições não voltarem ao normal.

As temperaturas da superfície terrestre e oceânica subiram para níveis recordes em 2015 e no início deste ano, de acordo com cientistas.

O aumento coincidiu com um El Niño excepcionalmente forte - fenômeno cíclico que provoca um aquecimento das águas do Oceano Pacífico.

'Mais frequentes e mais graves'

Os mares mais quentes são um dos principais culpados pelo declínio dos recifes de coral, que estão entre os ecossistemas mais diversos e delicados no planeta.

"Eventos de branqueamento estão se tornando mais frequentes e mais graves devido às mudanças climáticas globais", disse Abdulla.

Especialistas em recifes de coral e branqueamento de 11 países, instituições internacionais e universidades ajudaram a realizar a pesquisa, no auge do evento El Niño de 2016, disse o comunicado.

As Maldivas, uma nação de 1.192 pequenas ilhas de coral, reúnem cerca de 3% dos recifes de coral do mundo.

Trata-se de um dos países mais vulneráveis ​​ao impacto das mudanças climáticas, visto que a altura média das suas terras é de apenas 1,5 metros acima do nível do mar.

As Maldivas não são o único lugar onde os recifes de coral estão ameaçados.

Recifes ao redor do mundo vêm enfrentando um branqueamento generalizado desde meados de 2014, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

E neste ano, a Grande Barreira de Coral da Austrália, de 2.300 km de comprimento, o maior ecossistema de recifes de coral do mundo, está sofrendo o pior branqueamento já registrado.

Em uma tentativa de conter o problema, o governo das Maldivas criou uma força-tarefa nacional e um programa de monitoramento, em cooperação com a EPA e a IUCN.

O programa pretende ajudar biólogos marinhos, mergulhadores e outros para que contribuam com dados que possam ajudar a compreender os efeitos nacionais do evento de branqueamento global.

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