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(Arquivo) Um rato de laboratório é visto em Bron, França, no dia 23 de janeiro de 2014

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Pesquisadores dos Estados Unidos identificaram anticorpos em ratos que neutralizam o zika e podem prevenir uma infecção pelo vírus, segundo estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica americana Cell.

Esta descoberta representa um passo importante para desenvolver uma vacina, assim como um melhor exame de diagnóstico da doença e, potencialmente, novas terapias baseadas nesses anticorpos, afirmaram os cientistas da equipe que realizou o estudo, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis (Missouri).

A pesquisa mostra como seis anticorpos interagem exclusivamente com o zika, e não com outros vírus da mesma família, como o da dengue.

"Alguns desses anticorpos são capazes de neutralizar as cepas africana, asiática e americana do vírus zika, aproximadamente no mesmo grau", disse o principal autor do estudo, Daved Fremont, professor de patologia e imunologia.

Isso significa que uma só vacina poderia proteger contra todas as cepas do zika no mundo, acrescenta.

Estes anticorpos poderiam provocar uma reação imunológica contra o zika, segundo Fremont, o que sugere a possibilidade de criar uma vacina a partir de apenas uma proteína viral cultivada, mais do que com o vírus inteiro.

Ao contrário da maioria das pessoas, as grávidas não podem receber vacinas feitas a partir de vírus vivos, porque a gravidez suprime o sistema imunológico da mulher, de modo que uma pequena quantidade de vírus pode deixá-la doente.

Encontrar uma forma de vacinar as grávidas é fundamental, visto que o zika pode causar malformações congênitas graves em fetos de mulheres infectadas pelo zika, como a microcefalia, que se caracteriza por um desenvolvimento insuficiente do cérebro.

Novas pesquisas com vacinas em ratos não devem ser úteis, uma vez que estes obtém os anticorpos das suas mães principalmente após o nascimento. Em mulheres grávidas, os anticorpos protetores da mãe atravessam diretamente da placenta para o feto.

Os anticorpos terão de ser adaptados, e ensaios clínicos provavelmente terão que ser feitos com primatas antes de que as vacinas possam ser testadas em seres humanos.

Atualmente não existe nenhuma vacina para prevenir uma infecção pelo zika, um vírus que foi detectado pela primeira vez em 1947, em Uganda, mas que nos últimos anos se propagou por toda a América do Sul e Central e pela região do Caribe.

Em 19 de julho, pesquisadores canadenses anunciaram o início do primeiro ensaio clínico (fase 1) de uma vacina contra o zika.

Uma dezena de grupos farmacêuticos, como o francês Sanofi Pasteur, trabalham no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Especialistas dizem, porém, que a corrida para criar uma vacina contra o zika provavelmente vai durar anos.

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