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A presidente do Fed, Janet Yellen, em Washington, DC, no dia 15 de junho de 2016

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Membros do Federal Reserve (Fed) temiam o Brexit e consideraram prudente não aumentar a taxa de juros, segundo as atas da reunião do banco central americano realizada uma semana antes do pronunciamento britânico.

A ata da reunião de 15 de junho do comitê de política monetária do Fed, divulgada nesta quarta-feira, aponta que era "prudente esperar (...) para avaliar as consequências do voto do Reino Unido nas condições financeiras mundiais" e na economia americana.

Com relação ao Brexit, a maioria dos membros do Banco Central americano estimaram que os resultados do referendo "poderia gerar turbulências nos mercados financeiros, que por sua vez poderiam afetar o desempenho da economia do país".

Nessa reunião, que também aconteceu sob impacto de um frustrante relatório sobre o desemprego do mês de maio nos Estados Unidos, o Fed se pronunciou de forma unânime por deixar inalterada a taxa básica de juros, em um nível de entre 0,25% e 0,50%, onde se encontra desde dezembro de 2015.

Diversos integrantes do Fed que participaram da reunião disseram duvidar que as condições econômicas no curto prazo permitam um futuro aumento dos juros.

Os funcionários discutiram os riscos ainda existentes para as perspectivas de crescimento, e vários deles estimaram que a política monetária "deve permanecer acomodatícia durante algum tempo para permitir que a inflação retome à sua meta de 2%".

Participantes da reunião também disseram sentir "menos confiança" de que a inflação volte ao nível desejado pelo Fed.

Para eles, os progressos "poderão ser muito lentos", especialmente por "pressões anti-inflacionarias persistentes como consequência do muito frágil fortalecimento dos preços e do crescimento medíocre no exterior".

Na reunião foram levantadas as preocupações relativas à "contínua incerteza" sobre a política cambial da China e os "níveis de endividamento relativamente elevados da China (...) que apresentam riscos consideráveis à estabilidade financeira mundial".

Com relação ao emprego, a forte desaceleração na criação de postos de trabalhos em maio (38.000) também desanimou os integrantes do comitê monetário, já que "aumentam as incertezas sobre ritmo provável de melhora do mercado de trabalho".

Eles estimaram, contudo, que era "aconselhável evitar reagir com excessos".

O Departamento de Trabalho dos EUA divulgará na sexta-feira os novos números sobre o emprego, relativo ao mês de junho. Analistas estimam um aumento de 175.000 postos.

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