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Ban Ki-moon cumprimenta Barack Obama na presença de Xi Jinping em 3 de setembro na cidade chinesa de Hangzhou

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Estados Unidos e China, os dois países que mais poluem no planeta, anunciaram neste sábado em Hangzhou a ratificação do histórico acordo de Paris para limitar o aquecimento global, uma ação que pode acelerar sua entrada em vigor.

"Acredito que no fim ficará provado que este foi um ponto de viragem para nosso planeta", disse Obama em referência ao acordo de dezembro passado, que classificou como "o momento no qual decidimos salvar o planeta".

Em uma cerimônia com seu colga Xi Jinping na cidade chinesa, onde o G20 será realizado, os dois líderes entregaram ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, os documentos que oficializam a ratificação.

"Deram um grande impulso para que o acordo entre em vigor. Sou otimista sobre o fato de que podemos alcançar isso antes do fim do ano", disse Ban.

O acordo tem o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a um máximo de dois graus centígrados em relação aos níveis pré-industriais.

Para que entre em vigor em 2020, como está previsto, ao menos 55 países que representem 55% das emissões mundiais precisam ratificá-lo.

Juntos, Estados Unidos e China representam 40% das emissões de CO2.

A China, que ainda produz mais de 70% de sua energia a partir do carvão, é responsável por cerca de 24% das emissões mundiais.

Até agora, 24 países ratificaram o acordo, mas em sua maioria são pequenos Estados insulares que representam apenas uma pequena parte das emissões (1,08%).

Segundo a Casa Branca, Obama aproveitará o G20, um fórum de países industrializados e emergentes, para encorajar outros países, a Índia em particular, a ratificar o tratado.

Este "efeito chamada" pode acelerar a entrada em vigor do texto que, segundo o instituto Climate Analytics, será ratificado até o fim de 2016 por 34 países, entre eles Brasil, Canadá, Indonésia e Japão.

- O legado de Obama -

"Agora vemos um caminho claro e crível em direção à entrada em vigor do acordo de Paris", indicou Brian Deese, conselheiro para o clima da presidência americana.

"A história demonstra que, uma vez que estes acordos entrem em vigor e que os Estados Unidos os tenham assinado, serão mantidos", explicou Deese.

A Casa Branca afirma que a ratificação não precisa da aprovação do Congresso, controlado pela oposição republicana.

A rapidez da ratificação do texto por parte dos Estados Unidos é explicada pela vontade de Obama de reforçar seu legado antes do fim de seu mandato, em janeiro, disse Deese.

Uma das questões chave é a dos subsídios às energias fósseis, que muitos governos seguem concedendo. "Falar de 'vitória' em Paris e continuar dando generosos subsídios não seria compatível" com o acordo e inclusive "hipócrita", explicou Li Shuo, um especialista climático do Greenpeace.

A China é o país que mais investe em energia solar, mas ao mesmo tempo as autoridades seguem aprovando a construção de centrais de carvão (ao menos 150 novos projetos em 2015).

Entre 2004 e 2014, a China dobrou seu consumo de carvão, que alimenta seu persistente problema de poluição.

É o caso de Hangzhou, onde, para garantir um céu azul durante a cúpula, as autoridades obrigaram a fechar durante duas semanas as fábricas em um raio de 300 quilômetros.

Segundo a ONG Climate Transparency, para alcançar o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a +2°C até 2030, as grandes potências terão que multiplicar ao menos por seis seus objetivos atuais de redução de emissões.

Mas a aplicação dos acordos de Paris interessa não apenas aos governos, mas também ao setor privado.

Um grupo de instituições e empresas que representa 13 trilhões de dólares de investimentos pediram no fim de agosto ao G20 que o ratifique para evitar os riscos financeiros relacionados às mudanças climáticas, como inundações, secas ou o aumento do nível do mar.

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