EUA e Londres proíbem laptops e tablets em voos de países árabes e Turquia

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(Arquivo) Companhias como Emirates ou Turkish Airlines, que operam voos diretos de Dubai ou Istambul para os Estados Unidos, têm 96 horas a partir desta terça-feira para proibir que seus passageiros embarquem com dispositivos eletrônicos maiores do que um telefone celular

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Autoridades americanas e britânicas anunciaram nesta terça-feira a proibição de computadores portáteis e tablets nos voos de noves companhias aéreas procedentes da Turquia e de 10 aeroportos de países árabes, alegando o risco de atentados "terroristas".

O governo turco reagiu e pediu a Washigton que retire a proibição aos passageiros dos aviões da Turkish Airlines.

"Nossos camaradas começaram ontem (segunda-feira) a trabalhar com seus colegas sobre esta questão (...) Acreditamos que é necessário voltar atrás ou suavizar" a medida, disse o ministro turco do Transporte, Ahmet Arslan.

Companhias como Emirates ou Turkish Airlines, que operam voos diretos de Dubai ou Istambul para os Estados Unidos, têm 96 horas (quatro dias) a partir desta terça-feira às 7H00 GMT (4H00 de Brasília) para proibir que seus passageiros embarquem com dispositivos eletrônicos maiores que um telefone celular.

Todos os dispositivos (laptops, tablets, consoles de jogos, livros eletrônicos, aparelhos de DVD, câmeras fotográficas, entre outros) devem ser incluídos na bagagem despachada nos aviões, informaram funcionários americanos.

"A análise dos Serviços de Inteligência indica que grupos terroristas continuam apontando para o transporte aéreo e buscam novos métodos para cometer atentados, como dissimular explosivos em bens de consumo", explicou um deles.

"Com base nestas informações", o secretário para a Segurança Interna, John Kelly, "decidiu que era necessário reforçar os procedimentos de segurança para os passageiros com voo direto de alguns aeroportos e com destino aos Estados Unidos", destacou outro responsável.

A proibição de dispositivos eletrônicos maiores que um telefone celular estaria relacionada a uma ameaça do grupo Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), ativo no Iêmen, afirmou a rede de televisão CNN citando um responsável americano. Uma fonte próxima ao Serviço de Inteligência, citada pela emissora ABC, assinalou que a ameaça foi feita por guerrilheiros do grupo Estado Islâmico (EI).

Um ex-funcionário da Administração de Segurança do Transporte (TSA, em inglês), Tom Blank, considerou que "é uma resposta a dados precisos de Inteligência que foram apresentados às autoridades americanas", mas que estas medidas serão "muito provavelmente provisórias".

No total, serão afetados 50 voos diários de nove companhias áreas(Royal Jordanian, EgyptAir, Turkish Airlines, Saudi Airlines, Kuwait Airways, Royal Air Maroc, Qatar Airways, Emirates e Etihad Airways) com decolagem de 10 aeroportos internacionais: Amã, Cairo, Istambul, Jidá, Riad, Kuwait, Doha, Dubai, Abu Dhabi e Casablanca.

- Países aliados dos Estados Unidos -

Oito países foram afetados, todos eles aliados ou sócios dos Estados Unidos: Jordânia, Egito, Turquia, Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Marrocos.

Londres aplicou a mesma proibição e aponta para voos provenientes da Turquia, Líbano, Jordânia, Egito, Tunísia e Arábia Saudita com destino ao Reino Unido. Neste caso, há 14 empresas afetadas, entre elas a British Airways e a EasyJet.

França e Canadá disseram que estão analisando a possibilidade de adotar medidas similares.

"Consideramos que é o que deve ser feito e nos locais adequados para garantir a segurança dos viajantes", disse um funcionário de alto escalão do governo de Donald Trump.

A mesma fonte fez referência a "vários incidentes e atentados executados com êxito contra passageiros e aeroportos nos últimos anos".

O responsável citou o ataque reivindicado em fevereiro de 2016 por islâmicos somalis Shebab, vinculados à Al-Qaeda, em um Airbus A321 da Daallo Airlines com 74 pessoas a bordo. Quinze minutos depois da decolagem em Mogadíscio, um artefato explodiu e provocou um buraco de um metro de diâmetro na fuselagem, assim como a morte da pessoa que supostamente transportava a bomba.

Da oposição, o legislador democrata Adam Schiff, membro da Comissão de Inteligência da Câmara de Representantes, manifestou seu "completo apoio" à proibição. "Estas medidas são necessárias e proporcionais à ameaça. Sabemos que organizações terroristas querem abater aeronaves", comentou em um comunicado.

As autoridades americanas informaram anteriormente os países e as companhias aéreas envolvidos.

- Direito de voar ameaçado -

A grande companhia do Golfo, Emirates, disse que as restrições "entrarão em vigor no dia 25 de março e permanecerão válidas até 14 de outubro de 2017".

A Turkish Airlines publicou um comunicado no qual informa aos passageiros "que todo aparelho eletrônico ou elétrico de tamanho maior que um telefone celular ou smartphone (com exceção dos aparelhos médicos) não deve ser transportado a bordo de voos com destino aos Estados Unidos".

Os responsáveis americanos não deram nenhum prazo para a proibição na cabine dos dispositivos eletrônicos, mas advertiram que se as medidas não forem implementadas as companhias aéreas podem perder o direito de voar aos Estados Unidos.

Estas restrições são parte de um processo de intensificação dos controles nas fronteiras e, de modo mais geral, da política americana em termos de imigração desde que Donald Trump assumiu o poder.

O presidente republicano tenta impor uma proibição temporária de entrada nos Estados Unidos de todos os refugiados e de cidadãos de seis países de maioria muçulmana. A medida foi estabelecida em um decreto que foi bloqueado duas vezes por juízes federais americanos.

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