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Famílias sírias que deixaram as áreas de Aleppo controladas pelos rebeldes são vistos em um abrigo, no dia 1º de dezembro de 2016

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"Perdi meu filho mais velho, meu trabalho, minha casa". Fawwaz al-Ashaari enterrou sua vida, destruída, no leste de Aleppo e deixou, como dezenas de milhares de civis, a parte rebelde onde as tropas do governo sírio têm ganho terreno.

"Não quero perder mais nada", disse à AFP este pai de família, de 56 anos, em um centro de acolhida comandado pelo poder, no povoado de Jibrin, ao norte de Aleppo.

Fawwaz fugiu no início da semana de Sajur com seus quatro filhos. O bairro era controlado pelos rebeldes, mas, como muitos outros, caiu nas mãos das tropas do governo e de seus aliados.

No centro, onde vivem centenas de deslocados, uma multidão espera para se inscrever e poder receber alimentos, colchões e cobertores.

Sentado no chão abraçado com sua mala preta, Fawwaz se mostra determinado a salvar o resto de sua família depois de ter perdido sua esposa, morta "de tristeza" e seu filho mais velho, atingido por um obus.

"O resto dos meus filhos só pede para viver em segurança, pois viram a morte em várias ocasiões", conta Fawwaz, que dirigia uma loja de móveis. "Quero que conheçam a vida".

"As horas mais longas da minha vida"

A morte tem atormentado os habitantes do leste de Aleppo, setor nas mãos dos rebeldes desde 2012 e contra quem o exército, apoiado por seu aliado russo, lançou várias ofensivas para retomar o poder.

No centro de acolhida, três militares russo distribuíram alimentos para as famílias, atingidas por uma grave escassez, fruto do cerco imposto pelo governo há quatro meses.

Nawwara, de 14 anos, conta o número de pessoas que está na fila, impaciente para comer algo.

No dia anterior, ainda estava com sua mãe em um bairro rebelde quando ela lhe disse "vamos embora", segundo explica. A jovem conta que, de seu quarto, via como seus vizinhos abandonavam a área apressadamente.

"Há três anos não tínhamos combustível em casa", afirma Abdel Latif, de 56 anos, aquecendo suas mãos perto do fogo.

Outros continuam se recuperando da longa travessia feita desde as zonas rebeldes até às governamentais.

Esticando as pernas, Um Munir, de 55 anos, diz estar esgotada após suas saída de Massaken Hanano, primeiro bairro rebelde retomado pelo governo. "O trajeto a pé durou seis horas, as horas mais longas da minha vida".

"Íamos de bairro em bairro até chegar nas barricadas no exército", acrescenta, tremendo de frio.

Exaustos, os deslocados chegam em um ônibus até Jibrin, onde contam com uma primeira ajuda e os feridos mais graves são retirados.

Porém, para os rebeldes que entregaram suas armas, o processo é mais complicado.

Os soldados sírios registram seus nomes e mantêm seus documentos para comprovar que fizeram o serviço militar ou para conferir se estão sendo procurados.

"Os rebeldes têm que regularizar sua situação em primeiro lugar e, depois, o Estado tomará as medidas adequadas", explica o governador adjunto de Aleppo, Abdel Ghani Kasab.

"No início tinha medo de que o exército me prendesse, mas não tinha escolha", diz Ahmad, um rebelde de 40 anos, vindo de Sajur, enquanto espera a decisão sobre seu destino no centro de Jibrin.

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