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O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em Washington, DC, no dia 6 de outubro de 2016

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) abriram nesta quinta-feira sua reunião semestral com um pedido por "ação" a todos os países para impulsionar o crescimento igualitário, em meio a crescentes questionamentos à globalização e ao comércio internacional.

"Minha mensagem aos membros do FMI é 'Ação, por favor'", disse a diretora-gerente do órgão financeiro, Christine Lagarde, que foi enfática em afirmar que a estagnação da economia global deixa claro que não é o momento de fechar as portas à globalização.

"Sabemos que a globalização tem funcionado durante vários anos e representou enormes benefícios para muitas pessoas. Não acho que seja o momento de oferecer resistência", expressou Lagarde em coletiva de imprensa em Washington.

Para a chefe da FMI, na realidade a globalização "precisa ser levemente diferente" para se concentrar mais em "fazer que funcione para todos e prestar atenção àqueles que correm o risco de perder tudo" como resultado da economia digital e do comércio internacional.

"Estamos pedindo uma globalização inclusiva, que na verdade beneficie a todos", acrescentou.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, pediu aos governos do mundo todo que com urgência eliminem "essas nuvens de tempestade que representam o isolamento e o protecionismo".

Distribuir os benefícios

Por sua vez, o presidente do Banco de Inglaterra, Mark Carney, disse que a equidade no crescimento com a globalização é um "desafio" que ainda precisa ser resolvido.

"Não deveríamos nos desculpar pelo que tem ocorrido, com centenas de milhões de pessoas jogadas na pobreza", disse Carney. "Mas há um desafio com a distribuição", acrescentou.

Carney questionou como fazer para que todos se beneficiem de uma forma mais eficiente dos frutos da globalização e do comércio internacional.

Em um painel sobre o estado atual da economia global, com o vice-diretor do Banco Central chinês, Yi Gang, se manifestou em favor do livre-comércio, mas também ressaltou a necessidade de transformá-lo em ferramenta de bem-estar geral.

"Eu acredito no livre-comércio. Acredito que o livre-comércio promoverá o bem-estar da humanidade. Mas temos que considerar muito seriamente o crescimento inclusivo, e neste sentido acredito que o desafio que enfrentamos é real", disse.

Em um artigo conjunto publicado na quarta-feira no jornal The Wall Street Journal, Lagarde, Kim e o diretor da Organização Mundial de Comércio, o brasileiro Roberto Azevedo, afirmaram que o comércio global deverá beneficiar a todos.

"Apesar dos enormes benefícios que traz, muitas pessoas sentem que foram deixadas de lado", reconheceram no artigo.

Max Lawson, alto funcionário da organização humanitária Oxfam, apoiou a declaração.

"Ao dizer que a globalização precisa funcionar para todos, Lagarde reconheceu que atualmente (a globalização) funciona bem fundamentalmente para uma elite minoritária. Isso tem que mudar", afirmou Lawson em uma nota oficial.

"Motor" do crescimento

O FMI, que nesta semana apresentou um novo panorama da economia global, formulou reiteradamente advertências contra uma tendência crescente de questionar os benefícios da globalização e do comércio mundial.

Em especial, a candidatura presidencial do empresário Donald Trump disparou o sinal de alerta por suas propostas de renegociar os principais acordos comerciais que Washington participa e de abrir uma guerra comercial com a China.

Trump promete em sua campanha construir um enorme muro na fronteira entre México e Estados Unidos, alegando que se o México se negar a pagar por essa obra os EUA adotarão severas medidas de represálias comerciais.

Além das propostas de Trump, em geral a retórica da campanha questiona os benefícios de iniciativas ambiciosas como a Associação Transpacífica (TPP, em inglês), por seu impacto na evasão de indústrias para mercados com mão de obra mais barata, e achatamento de salários locais.

Lagarde evitou nesta quinta-feira formular qualquer comentário sobre a campanha eleitoral nos Estados Unidos, mas reforçou que a economia global nesta conjuntura precisa do "motor" que representa o comércio internacional.

O comércio, disse, "tem sido um grande motor para o crescimento. E se queremos maior crescimento para atender aos problemas pendentes, precisamos desse motor para apoiá-lo e acelerá-lo".

Nesta semana, o FMI encontrou um aliado de peso em sua avançada contra o protecionismo. No site do FMI, o governo da Alemanha expressou seu compromisso com uma economia global.

"Estamos comprometidos com a construção de uma economia global aberta, negar o protecionismo, promover o comércio global e os investimentos", disse o ministro alemão da Economia, Wolfgang Schauble.

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