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Foto com ministros da Economia e presidentes de bancos centrais dos países do G20 Financeiro no encontro de Chengdu, na China, dia 24 de julho de 2016

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A decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia (UE) aumenta a incerteza sobre a economia mundial, advertiram neste domingo os ministros das Finanças dos países do G20 reunidos na China.

O G20 considera, no entanto, que os países da UE "estão bem posicionados para fazer frente de maneira proativa às eventuais repercussões econômicas e financeiras do Brexit", segundo o comunicado lido pelo ministro chinês, Lou Jiwei, ao fim da reunião de dois dias realizada em Chengdu (centro-oeste).

A comoção provocada pelo resultado do referendo britânico no mês passado se converteu numa questão central do encontro ministerial, o último antes da cúpula do grupo de potências industrializadas e emergentes prevista para setembro em Hangzhou (leste da China).

"Estamos dispostos, à luz dos recentes acontecimentos, a utilizar todos os instrumentos de política -monetária, fiscal e estrutural- de forma individual e coletiva para alcançar nosso objetivo de um crescimento forte, sustentável, equilibrado e incluinte", acrescentou o comunicado.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixou na semana passada suas previsões de crescimento do PIB mundial, por causa dos novos riscos, entre eles o Brexit e a multiplicação de atentados.

Em Chengdu, foram ouvidas preocupações sobre uma negociação de separação muito prolongada entre o Reino Unido e Bruxelas, sede do Executivo da UE.

"Isso não significa que tenha que chegar a um acordo em uma semana ou em um mês. É um processo que pode levar tempo. Mas o que poderá alterar em grande medida a confiança é que se transforme em um processo muito conflitivo", disse neste sábado a jornalista um alto responsável do departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

O novo ministro britânico das Finanças, Philip Hammond, enviou no sábado um tuíte depois de se reunir com seu colega alemão Wolfang Schäuble: "Concordamos sobre a necessidade de um acordo que seja bom para os povos da Grã Bretanha e da Alemanha".

Na foto de família final, Hammond aparece na primeira fila, embora tenha passado a maior parte do tempo conversando com apenas um interlocutor, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.

- 'Outras consequências negativas' -

O FMI expressou suas preocupações pelas consequências da separação entre a UE e o Reino Unido.

"O Brexit representa um importante risco de recaída da economia mundial", advertiu o relatório do organismo financeiro internacional, que rebaixou suas previsões de crescimento do PIB mundial a 3,1% em 2016 e 3,4% em 2017, em os ambos casos uma décima menos que em suas projeções anteriores.

"Mas o Brexit ainda em pleno desenvolvimento, poderá ter outras consequências negativas", acrescenta o relatório.

Também pesaram sobre as discussões de Chengdu outras preocupações, como a desaceleração da economia chinesa, os atentados na Europa e a tentativa falida de golpe de Estado na Turquia, que geraram nervosismo nos mercados.

A China, segunda economia mundial, se encontra em plena transição de um modelo centrado nos investimentos públicos e nas exportações baratas a outro baseado no mercado interno.

O vice-primeiro-ministro turco Mehmet Simsek, que participou na reunião, destacou em tuíte que a tentativa frustrada contra o presidente Recep Tayyip Erdogan não mereceu menção alguma no comunicado final.

O governo turco reagiu à tentativa golpista com uma dura repressão -com milhares de detenções e dezenas de milhares de demissões na função pública- e anunciou sua determinação de reinstaurar a pena de morte caso o parlamento aprove. Isso gerou críticas de países da UE e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Na ministerial de fevereiro, o G20 prometeu recorrer a "todos os instrumentos" a seu alcance para estimular a economia mundial.

O FMI também pediu no sábado aos países ricos do G20, entre eles Estados Unidos e Alemanha, que aumentem o gasto público com infraestrutura, uma política rejeitada pelo governo alemão, que aconselha uma receita de "reformas estruturais" para conter os déficits públicos.

"A economia mundial está atribulada por muitos problemas sérios", disse o ministro chinês no sábado.

"Devemos ter uma política monetária mais preventiva e transparente, reforçar a eficiência da política fiscal (...) e estimular uma recuperação mais forte da economia mundial", precisou Lou Jiwei.

O G20 é formado pelos países industrializados do G7 (EUA, Alemanha, França, Reino Unido, Japão, Canadá e Italia), os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e outros emergentes (Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia), além de uma representação da União Europeia.

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