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(Arquivo) João Havelange, em Copenhague, no dia 2 de outubro de 2009

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É uma casta em vias de extinção. João Havelange, morto nesta terça-feira, formava parte deste grupo seleto de caciques que reinaram no mundo do esporte.

Futebol: João Havelange

Presidente da Fifa de 1974 até 1998, Havelange, que morreu aos 100 anos, deu à instituição uma nova dimensão. A gestão do futebol mundial se tornou uma máquina de fazer dinheiro e a Copa do Mundo se abriu a novos países (Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul), além de passar de 16 para 32 participantes.

Acusado de dirigir o organismo através de clientelismo, o antigo membro da equipe olímpica brasileira de natação e polo aquático teve de renunciar ao seu cargo no Comitê Olímpico Internacional em 2011, antes de abandonar sua função de presidente de honra da FIFA em 2013, em meio a escândalos de corrupção.

O brasileiro foi o mentor de Joseph Blatter, o braço direito que o sucedeu de 1998 a 2015. Uma pessoa próxima afirma que os dois homens eram unidos por uma "relação de pai e filho". Ambos continuavam se falando por telefone todas as semanas.

Futebol: 'Sepp' Blatter

"Sepp" Blatter, de 80 anos, que entrou na Fifa em 1975 como diretor dos programas de desenvolvimento técnico, aprendeu tudo com Havelange, de quem foi secretário-geral durante 17 anos. Convertido em número um do organismo em 1998, Blatter seguiu os passos do seu pai espiritual.

"Meu grande êxito? Ter tornado o futebol universal". O suíço mostrou tal orgulho durante muito tempo, e foi o grande artesão do primeiro Mundial realizado no continente africano, na África do Sul em 2010.

Seu reinado terminou sob uma onda de escândalos. Afastou-se em 2 de junho de 2015, quatro dias depois de ter sido reeleito para um quinto mandato. Sua posição tinha se tornado insustentável.

Uma intervenção do FBI e a prisão de altos dirigentes do futebol mundial em um hotel de luxo de Zurique dias antes da sua reeleição provocou a maior crise da história da Fifa, devido à corrupção em grande escala.

Blatter foi suspenso durante seis anos pela justiça interna da Fifa em consequência de um pagamento controverso de 1,8 milhão de euros em 2011 ao então presidente da Uefa, Michel Platini. O suíço vai comparecer em 25 de agosto ante o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), em Lausana, para recorrer da sua sanção.

Atletismo: Lamine Diack

Presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) durante cerca de 15 anos, o senegalês desfrutou de muitos êxitos durante sua longa carreira. Passou de campeão nacional de salto em distância e diretor técnico da seleção senegalense para a política, chegando a ser prefeito de Dakar e deputado.

Primeiro vice-presidente da IAAF, Diack chegou à frente do primeiro esporte olímpico aos 66 anos, após a morte do italiano Primo Nebiolo, em 1999.

Diack, de 82 anos, também foi seduzido pelos negócios e foi investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, além de ser suspeito de ter acobertado casos de doping de atletas, principalmente russos.

Em agosto de 2005, descartou se apresentar à reeleição para a presidência da IAAF, que acabou nas mãos da lenda britânica Sebastian Coe.

Ciclismo: Hein Verbruggen

Nascido em 1941, o holandês começou a presidir em 1984 a Federação Internacional de Ciclismo, depois a União Ciclista Internacional, até sua saída, em 2005, ano em que Lance Armstrong se aposentou.

Sua proximidade, inclusive em assuntos de negócios, com o antigo vencedor do Tour levou uma comissão a investigar seus possíveis compromissos.

Convertido em um dos homens mais influentes do esporte mundial, principalmente do Comitê Olímpico Internacional, Verbruggen presidiu a coordenação dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.

F1: Bernie Ecclestone

O grande financista da Fórmula 1, que completou 85 anos em outubro, continua reinando sobre um esporte que sobreviveu a várias crises importantes, entre elas duas falências das escuderias Caterha e Marussia e o acidente de Jules Bianchi no Japão nos últimos meses.

Desde os anos oitenta, o inglês dirige quase toda a Fórmula 1, embora tenha se afastado no verão passado devido a um julgamento por corrupção em Munique, que acabou com o pagamento de 100 milhões de euros. Depois, voltou para os negócios - tudo isso com o beneplácito da Federação Internacional do Automóvel (FIA).

Olimpismo: Juan Antonio Samaranch

Falecido em 2010 aos 89 anos, o espanhol dirigiu o Comitê Olímpico Internacional (COI) entre 1980 e 2001. Segundo seu sucessor, o belga Jacques Rooge, foi "o dirigente mais influente do COI" desde Pierre de Coubertain, o fundador.

Após herdar uma instituição obsoleta, o ex-secretário de Esportes do ditador espanhol Francisco Franco conseguiu fazer dos Jogos o que são hoje em dia, graças aos enormes contratos de patrocínio assinados com multinacionais e ao aumento exponencial dos direitos de transmissão pela TV.

Marcado por escândalos de corrupção, principalmente o dos Jogos de Inverno em Salt Lake City em 2012, seu mandato também se viu manchado pelo doping com o famoso caso do ex-velocista canadense Ben Johnson nos Jogos de Seul de 1988.

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