AFP

O presidente americano, Barack Obama, e a candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, durante a convenção democrata, na Filadélfia, no dia 27 de julho de 2016

(afp_tickers)

Hillary Clinton iniciará nesta quinta-feira uma fase sem precedentes na história política americana quando aceitar ser a candidata democrata à Casa Branca, com a ilusão de continuar o legado de seu marido, Bill Clinton, e do atual presidente, Barack Obama.

No último dia da Convenção Nacional Democrata que se celebra na Filadélfia, a ex-secretária de Estado será apresentada no palco por sua filha, Chelsea.

Em seu discurso, a candidata presidencial vai expressar sua convicção sobre a necessidade de dar oportunidade a todos os cidadãos para que alcancem seu potencial, segundo fontes próximas à campanha.

"É o momento mais pessoal desta campanha, no qual ela explicará a uma enorme audiência tudo o que quer fazer no futuro", disse John Podesta, um dos encarregados da estratégia política de Hillary.

Outro estrategista da campanha, Robby Cook, disse que em seu discurso Hillary terá que "conquistar a confiança dos eleitores".

Trata-se da primeira vez que uma mulher disputará a presidência dos Estados Unidos representando um dos dois grandes partidos políticos, e para isso Hillary recebeu na quarta-feira o apoio entusiasmado do presidente Obama na Convenção Nacional do Partido Democrata.

Diante de uma multidão de quase 5.000 delegados reunidos na Filadélfia, Obama disse que nunca houve um homem ou uma mulher mais capacitado e preparado que Hillary Clinton para ser presidente dos Estados Unidos, incluindo ele mesmo e o ex-presidente Bill Clinton.

"Vamos levar Hillary Clinton à vitória este ano, porque é o que o momento pede!", disse Obama.

Trata-se de um momento especial para ambos, já que Obama derrotou Hillary por uma pequena margem nas primárias em 2008, e ao chegar à Casa Branca a convidou para se tornar sua secretária de Estado.

Apesar de Obama ter substituído Hillary à frente da máquina diplomática americana em seu segundo mandato, iniciado em 2013, nesta campanha o presidente nunca escondeu seu apoio, para além da discrição que seu cargo impôs.

Apoio de três presidentes

O partido espera agora poder suceder Obama, o primeiro presidente negro na história dos Estados Unidos, com Hillary, a primeira mulher, uma possibilidade que faz os delegados presentes na Convenção sonharem alto.

Para conquistar este objetivo, não faltaram apoios de peso a Hillary na convenção.

O ex-presidente Jimmy Carter (1977-1981) apareceu em um vídeo no qual deixou claro seu apoio a Hillary para ocupar o cargo mais importante do país.

Por sua vez, o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) pronunciou um longo discurso no qual narrou a história de seu relacionamento com Hillary, em um testemunho que se propôs a humanizar a figura da agora candidata a presidente.

Por fim, se Bill Clinton se concentrou na Hillary esposa e mãe, Obama ressaltou a imagem da funcionária pública exemplar habituada a tomar decisões transcendentais e complexas.

"Nada te prepara realmente para as exigências do Salão Oval. Até que você se sente diante desta mesa, não sabe como é administrar uma crise global, enviar gente à guerra. Mas Hillary já esteve neste Salão; foi parte das decisões", disse Obama em seu discurso.

Ambiente de polêmica

A aceitação da candidatura por parte de Hillary, uma formalidade necessária nas normas partidárias, será realizada em coincidência com um novo e espetacular escândalo político protagonizado por Donald Trump, o candidato pelo Partido Republicano.

Trump convocou uma coletiva para negar qualquer relação com a suposta participação de espiões russos na invasão dos servidores de e-mail do Comitê Nacional do Partido Democrata, mensagens que ao serem divulgadas na semana passada já haviam provocado uma tempestade.

No entanto, Trump terminou pedindo à Rússia que utilize seus espiões para investigar os e-mails de Hillary quando era secretária de Estado.

"Rússia, se está me ouvindo: espero que seja capaz de encontrar os 30.000 e-mails que estão perdidos. Provavelmente serão generosamente recompensados pela imprensa", disse Trump em referência aos e-mails que Hillary disse ter apagado dos servidores privados que mantinha em sua residência quando era secretária de Estado.

O ex-diretor da CIA e ex-secretário de Defesa Leon Panetta disse na Convenção Democrata que era inconcebível que um candidato presidencial americano pedisse que um adversário político fosse alvo de espionagem por parte de um país estrangeiro.

Nesta quinta-feira, em declarações à FOXNews, Donald Trump assegurou que estava sendo "sarcástico" quando pediu que a Rússia usasse seus espiões contra Hillary, e ressaltou que as autoridades americanas nem sequer sabem se foram os russos que invadiram o e-mail da democrata.

Além disso, acrescentou Trump, o presidente russo, Vladimir Putin, "sem dúvida está fazendo seu trabalho muito melhor do que Obama".

afp_tickers

 AFP