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A candidata democrata Hillary Clinton fala em coletiva de imprensa em Nova York, no dia 9 de setembro de 2016

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A candidata democrata à Presidência, Hillary Clinton, que foi criticada por ter chamado "metade" dos simpatizantes de Donald Trump de "deploráveis", disse neste sábado (10) que lamenta o comentário, mas insistiu em que não vai parar de falar de sua "retórica intolerante e racista".

A ex-secretária de Estado recebeu uma enxurrada de críticas após suas declarações na sexta-feira (9), em um ato de arrecadação de fundos de campanha "LGBT for Hillary", em Nova York.

"Apenas para generalizar de modo grosseiro, você pode colocar metade dos simpatizantes de Trump no que eu chamo de cesta dos deploráveis", alfinetou.

"O racista, sexista, homofóbico, xenófobo, islamofóbico, como você quiser chamar. E infelizmente há pessoas assim. E ele as despertou", completou.

"Na noite passada, eu fui 'grosseiramente generalista', e isso nunca é uma boa ideia. Eu lamento por ter dito 'metade' - isso foi errado", disse a democrata em um comunicado divulgado por sua equipe de campanha.

Ainda assim, a candidata elaborou uma lista de diversos itens "deploráveis" sobre Trump.

"É deplorável que Trump tenha construído sua campanha, em grande parte, em cima de preconceitos e de paranoias e que tenha dado uma plataforma nacional para visões e vozes odiosas, inclusive ao responder de forma preconceituosa a uma dúzia de seguidores e destilar sua mensagem a 11 milhões de pessoas", afirmou.

"É deplorável que ele tenha atacado um juiz federal por suas 'raízes mexicanas', importunado os pais de um soldado morto por causa de sua religião muçulmana e promovido a mentira de que nosso primeiro presidente negro não seja um verdadeiro americano", continuou a candidata.

"Então, eu não vou parar de falar sobre a retórica intolerante e racista de sua campanha", frisou.

Hillary, de 68 anos, reiterou inúmeras vezes que os simpatizantes de Trump são "americanos que trabalham duro" e que se sentem marginalizados.

"Estou determinada a unir nosso país e fazer nossa economia funcionar para todos, não apenas para aqueles que estão no topo", prometeu.

Passo em falso

Trump, de 70, respondeu de maneira irritada e qualificou suas palavras como "insultantes".

"Uau, Hillary Clinton foi tão insultante com meus simpatizantes, milhões de pessoas incríveis e muito trabalhadoras. Acho que isso vai sair caro nas pesquisas!", reagiu o republicano, logo cedo neste sábado, em seu Twitter.

"Logo quando Hillary Clinton disse que ia começar a fazer uma campanha positiva, ela tira a máscara e revela sua verdadeira opinião dos americanos", alfinetou o chefe de Imprensa de Trump, Jason Miller, em um comunicado divulgado na sexta à noite.

Falando em uma conferência de defensores dos valores conservadores, o companheiro de chapa de Trump, Mike Pence, classificou de "deploráveis" as declarações da democrata.

"A verdade é que os homens e as mulheres que apoiam Donald Trump são americanos que trabalham duro, granjeiros, mineiros, professores, ex-combatentes, membros das forças da ordem", enumerou o político ultraconservador.

"Eles não são uma 'cesta de nada'. São americanos e merecem seu respeito", completou.

O fato é que o comentário da candidata viralizou, e ela imediatamente se tornou alvo de inúmeras reações nas redes sociais. No Twitter, ficou entre os "Assuntos do momento", e até se criou a conta @TheDeplorables.

Publicando uma fotografia com três pessoas, @ScottPresler, um simpatizante do republicano, tuitou: "Minha família. Quem é deplorável, Hillary? O ex-combatente, a mulher, ou o homossexual? Você nos insulta".

A menos de dois meses das eleições, alguns comentaristas políticos começaram a falar de um sério erro por parte de Hillary.

"Na minha opinião, é o pior que se pode dizer", avaliou Bob Beckel na CNN, o qual se apresenta como um "anti-Trump".

"A cesta de deploráveis de Hillary foi um erro", escreveu no Twitter o analista político da ABC News Matthew Dowd, considerando, porém, que as consequências nas urnas não serão significativas.

Neste sábado, Hillary Clinton participou de outro evento para arrecadação de fundos, no norte de Nova York, fechado para a imprensa. Aparentemente, ela teria sido mais cuidadosa em seu discurso desta vez.

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