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Fãs de videogame experimentam novidades na Electronic Entertainment Expo (E3), em Los Angeles, no dia 16 de junho de 2016

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Seguidos por milhões de pessoas e convertidos em multimilionários, os jogadores de videogames adquiriram o status de celebridades planetárias e são a grande atração do salão de jogos eletrônicos Electronic Entertainment Expo (E3), que acontece nesta semana em Los Angeles.

Como todos os anos, o encontro mundial do setor, que começou na terça-feira, exibe sucessos de vendas e de inovações que pretendem revolucionar o mundo dos "gamers", como a realidade virtual ou o streaming.

A edição 2016 da E3, no entanto, foi além do habitual e consagrou o aparecimento deste novo tipo de celebridades, cujas proezas virtuais são divulgadas e acompanhadas avidamente em sites como Twitch ou YouTube Gaming.

"Há centenas de milhões de usuários prestando atenção no conteúdo dos jogos a cada mês", disse à AFP na E3 Ryan Wyatt, encarregado deste setor no YouTube.

Wyatt admite sua surpresa com o fato de que "isto se tornou algo tão grande".

YouTube Gaming, uma versão do serviço de compartilhamento de vídeos da Alphabet concebido especialmente para os amantes dos games, foi lançado em site e em aplicativos de celular em agosto de 2015.

Hoje, bilhões de horas de conteúdo de jogos são assistidas por mês no serviço, e este número está crescendo, afirma Wyatt.

O Youtube tem se empenhado em valorizar estes jogadores, personalidades que cativam o público on-line com seu jogo, humor, sagacidade e comentários.

"São super estrelas, como qualquer outra. São celebridades", afirma Wyatt.

Selfies e autógrafos

No ano passado, a revista Variety publicou uma pesquisa que demonstrava que a influência das estrelas do YouTube nos adolescente é similar à que exercem os famosos de Hollywood.

Wyatt observou que mais da metade dos dez maiores "YouTubers" são gamers. "Eles estão basicamente transcendendo a indústria do videogame", afirma.

O canal de Youtube do humorista e gamer sueco PewDiePie, por exemplo, conta com 45 milhões de pessoas inscritas.

A Twitch.tv, propriedade da Amazon, permite que os internautas transmitam conteúdos de videogames e entrem em contato com editores do setor e anunciantes.

No ano passado, mais de 20.000 pessoas participaram em um encontro de "transmissores" e editores de videogames organizado pela Twitch, e mais de dois milhões assistiram o evento on-line, segundo a empresa pioneira de serviço de streaming de jogos.

"A audiência está crescendo vertiginosamente. (...) Não há nenhum sinal de que o streaming esteja desacelerando", declarou à AFP um porta-voz da Twitch.

Alguns jogadores considerados estrelas do Twitch têm lucros de seis dígitos e são literalmente assediados por fãs em busca de uma selfie ou de autógrafos.

Trata-se de uma espécie de "democratização da fama", afirma Andrew House, um dos responsáveis da empresa editora de videogames Sony Interactive Entertainment.

"Já era hora de que acontecesse algo assim", diz House à AFP. "É ótimo que haja rostos e personalidades que representem esta indústria".

Em 2014, o gigante de distribuição on-line Amazon comprou a Twitch e sua enorme audiência para as jogadas transmitidas ao vivo por 970 milhões de dólares, em uma das maiores aquisições da empresa.

Durante o salão E3, o YouTube Gaming promoveu uma "guerra de trailers", na qual os internautas foram convocados a votar no melhor teaser sobre novos videogames.

O anúncio do jogo de guerra "Battlefield 1", da Electronic Arts, registrou mais de cinco milhões de visitas durante as primeiras 24 horas após sua divulgação.

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