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Lagarde participa de uma entrevista coletiva na sede do FMI, em Washington

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A diretora-gerente do Fundo Monetario Internacional (FMI), Christine Lagarde, abriu nesta quinta-feira a reunião semestral com o Banco Mundial, com uma advertência contra a crescente tendência a questionar os benefícios da globalização, mesmo admitindo que ela deve ser mais "inclusiva".

"Sabemos que a globalização tem funcionado durante vários anos e representou enormes benefícios para muitas pessoas. Não acho que seja o momento de oferecer resistência", expressou Lagarde em coletiva de imprensa em Washington.

Para a chefe da FMI, na realidade a globalização "precisa ser levemente diferente" para concentrar-se mais em "fazer que funcione para todos e prestar atenção àqueles que correm o risco de perder tudo" como resultado da economia digital e do comércio internacional.

"Estamos pedindo uma globalização inclusiva, que na verdade beneficie a todos", acrescentou.

Pouco depois, Max Lawson, alto funcionário da organização humanitária Oxfam, apoiou a declaração.

"Ao dizer que a globalização precisa funcionar para todos, Lagarde reconheceu que atualmente (a globalização) funciona bem fundamentalmente para uma elite minoritária. Isso tem que mudar", afirmou Lawson em uma nota oficial.

"Motor" do crescimento

O FMI, que nesta semana apresentou um novo panorama da economia global, formulou reiteradamente advertências contra uma tendência crescente de questionar os benefícios da globalização e do comércio mundial.

Em especial, a candidatura presidencial do empresário Donald Trump disparou o sinal de alerta por suas propostas de renegociar os principais acordos comerciais que Washington participa e de abrir uma guerra comercial com a China.

Trump promete em sua campanha construir um enorme muro na fronteira entre México e Estados Unidos, alegando que se o México se negar a pagar por essa obra os EUA adotarão severas medidas de represálias comerciais.

Além das propostas de Trump, em geral a retórica da campanha questiona os benefícios de iniciativas ambiciosas como a Associação Transpacífica (TPP, em inglês), por seu impacto na evasão de indústrias para mercados com mão de obra mais barata, e achatamento de salários locais.

Lagarde evitou nesta quinta-feira formular qualquer comentário sobre a campanha eleitoral nos Estados Unidos, mas reforçou que a economia global nesta conjuntura precisa do "motor" que representa o comércio internacional.

O comércio, disse, "tem sido um grande motor para o crescimento. E se queremos maior crescimento para atender aos problemas pendentes, precisamos desse motor para apoiá-lo e acelerá-lo".

Pressões "crescentes"

No relatório sobre a economia global apresentado nesta segunda-feira, o FMI expressou sua preocupação com o que considera ser uma onda de protecionismo na Europa e nos Estados Unidos, e afirmou que o mundo está dando as costas ao comércio internacional como ferramenta do crescimento.

Ao revisar em baixa a previsão de crescimento das economias avançadas em 2016, o FMI alegou que as "crescentes pressões para políticas de 'portas adentro' são uma particular ameaça para o panorama global".

Por sua vez, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, pediu aos governos do mundo todo que com urgência eliminem "essas nuvens de tempestade que representam o isolamento e o protecionismo".

Em sua opinião, o comércio internacional contribuiu para tirar da pobreza a milhões de pessoas nos últimos 25 anos.

Nesse cenário, o Brexit é um sinal que o FMI não pode ignorar, já que o acordo de livre comércio há pouco mais de três anos entre Washington e a União Europeia enfrenta rígidas resistências nas capitais europeias.

Nesta semana, o FMI encontrou um aliado de peso em sua avançada contra o protecionismo. No site do FMI, o governo da Alemanha expressou seu compromisso com uma economia global.

"Estamos comprometidos com a construção de uma economia global aberta, negar o protecionismo, promover o comércio global e os investimentos", disse o ministro alemão da Economia, Wolfgang Schauble.

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