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Bandeira da União Europeia é vista em frente a Elizabeth Tower, conhecida como Big Ben, em Londres, no dia 2 de julho de 2016

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Em uma tarde ensolarada perto do Big Ben, duas semanas após a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, pouco mudou para os turistas em Londres, exceto o fato de seus passeios terem ficado mais baratos.

Enquanto os turistas tiram embaixo do famoso relógio do Parlamento e nas cabines telefônicas vermelhas, pouco se fala sobre o que a vitória do Brexit representa para o futuro da UE.

Já a moeda em queda é queda é vista como vantagem.

"Para as minhas férias é ótimo! Elas ficam mais baratas a cada minuto", disse Robbert de Reus, de Middelburg, na Holanda.

A desvalorização da libra esterlina em relação ao dólar e ao euro tornaram as férias no Reino Unido cerca de 15% mais baratas para os turistas estrangeiros.

Roberto Serraglia contou que acaba de chegar da Itália com sua esposa e os dois filhos.

"Em comparação a antes do referendo, nós vamos economizar pelo menos 15%", comemorou.

"Para nós é muito bom vir para Londres nesse momento, mesmo não sendo o que estávamos buscando".

'Mais roupas, mais brinquedos'

Bretton Pyne, um estudante norte-americano vestido com uma camisa do futebol francês, contou ter ido às compras para aproveitar ao máximo a queda da libra.

"Eu estava aqui no momento da votação e eu comprei um monte de coisas", disse Pyne.

Erica Kim, que chegou da Coreia do Sul com o marido, se arrepende de ter trocado dinheiro antes do referendo.

"Estou um pouco triste porque eu troquei o meu dinheiro antes e perdi 400 libras", disse Kim.

A queda da moeda britânica significa que o turismo será um dos poucos setores do país impulsionados pelo Brexit.

"O turismo é potencialmente beneficiado pela desvalorização da libra em relação ao euro", disse a agência de turismo VisitBritain.

As reservas de voos internacionais subiram aproximadamente 10% na semana após o mesmo período do ano anterior, disse a agência com base em dados coletados pela consultoria ForwardKeys.

No entanto, fora a multidão de turistas em frente à residência do primeiro-ministro David Cameron no número 10 da Downing Street, os sinais de um impulso ao turismo ainda são sentidos de forma cética entre os vendedores de souvenirs.

"Com exceção dos americanos, que gastam mais do que antes, não há nada especial", disse Mara Oliveira, dona da CGX Accessories.

Rodeado por Big Bens e imagens da rainha Elizabeth II, Ashik Av não prevê nada de positivo.

"Não vemos nada de bom no Brexit. Os turistas estão confusos", disse Av.

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