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O presidente argentino, Mauricio Macri, em Frutillar, Chile, no dia 30 de junho de 2016

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A Argentina busca reforçar o vínculo com a Europa e seu presidente, Mauricio Macri, está empenhado em demonstrar esta semana, em uma viagem pela França, Bélgica e Alemanha, que tem vocação para liderar uma região que impulsiona novamente negociações comerciais travadas por anos.

Macri viaja nesta sexta-feira para a França com o objetivo de se reunir de maneira informal com seu homólogo François Hollande na tarde de sábado.

Ele terminará sua estadia europeia na quarta-feira, na Alemanha, de onde partirá para os Estados Unidos para assistir ao encontro de empresários "Sun Valley Conference", em Idaho (nordeste).

A reunião de Macri com Hollande será a segunda neste ano após a visita do presidente francês à Argentina em fevereiro.

Outro objetivo crucial da viagem é assegurar os 20 bilhões de dólares em investimentos que o mandatário espera que cheguem por sua política amigável com os mercados.

"Após muitos anos de uma economia fechada, temos que ir em uma transação ordenada, sem críticas, até a integração do Mercosul, espero em breve, com a Aliança do Pacífico e depois, com o mundo inteiro", afirmou Macri entusiasmado na quinta-feira (30) no Chile.

Após seis meses no poder, o presidente argentino tem sede por concretizar acordos comerciais depois de anos de protecionismo em seu país, quando a terceira economia da América Latina segue em recessão, golpeada por uma inflação descontrolada e fortes ajustes de tarifas de serviços básicos.

Em Bruxelas, será recebido pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, além do rei Felipe, entre outras autoridades do país.

Terça-feira, na Alemanha, participará de um almoço de trabalho com a chanceler Angela Merkel, nesta escala que constitui "a mais importante em termos de encontros empresariais concretos", disseram fontes do palácio presidencial.

A agenda na Alemanha, que inclui uma reunião com o presidente Joachim Gauck e uma audiência com o presidente do Parlamento, Norbert Lammert, Macri se reunirá com os diretores da Mercedes Benz, Volkswagen e Siemens.

Que fique claro "que estamos de volta, que foi feita uma mudança política e que a Argentina aposta na construção da confiança", disse essa semana um alto funcionário do governo em Buenos Aires sobre o objetivo desta visita.

Macri enfatizou: "Teremos futuro com aqueles que são capazes de construir redes e não muros" depois do acordo de livre comércio inter-regional.

Ventos revoltosos

Esta viagem de Macri tem como pano de fundo a recente saída da Grã-Bretanha da União Europeia, trazendo incerteza e comoção ao velho continente. Do lado do Mercosul, tampouco correm ventos a favor, após anos de desacordos comerciais e desencontros políticos entre seus associados.

Em ambos os lados do Atlântico seus líderes lutam para tentar impulsionar novamente as negociações comerciais UE e Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela), mas enfrentam fortes pressões de interesses de sócios dos dois blocos.

Macri chega à Europa após ter sido convidado especialmente para a terceira cúpula de empresários da Aliança do Pacífico, que reuniu nesta semana no sul do Chile cerca de 700 homens de negócios da região.

"Na Argentina (...) se produz uma mudança política total. Essa transformação implica em querermos fazer parte do cenário mundial, e das soluções dos problemas globais", ressaltou o presidente.

Neste caminho, Macri falou pela aliança entre os dois blocos econômicos regionais de natureza distinta: o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Aliança do Pacífico, que reúne Chile, México, Colômbia e Peru.

"Relançamos o Mercosul, porque queremos um Mercosul do século XXI, mas que claramente tenha uma visão de convergência com a Aliança do Pacífico. Esse é o melhor caminho para todos".

Na Europa também há a esperança de que Macri adquira protagonismo regional e seja um tipo de interlocutor para avançar em um acordo com o Mercosul.

O bloco sul-americano tem sido sacudido tanto pelo impacto da crise econômica e política no Brasil, como pela deterioração do governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

"Necessitamos mais do Mercosul", enfatizou na segunda-feira (27) a chanceler Susana Malcorra em Montevidéu, ao relativizar o impacto real da saída da Grã-Bretanha da UE nas atuais conversações sobre um acordo de livre comércio.

"Creio que isto (a UE após o Brexit) tornará a Europa mais europeizada. E como tal, poderia se transformar em uma oportunidade porque vão querer financiar um acordo entre os dois blocos", considerou a chanceler.

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