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O presidente argentino, Mauricio Macri, em Tucumán, Argentina, no dia 9 de julho de 2016

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O presidente da Argentina, Mauricio Macri, começa uma viagem nesta quarta-feira (31) que o levará ao Catar e à China, onde participa da cúpula do G20 em 4 e 5 de setembro, em Hangzhou, em busca de investimentos.

Horas antes de decolar para o Catar, nesta terça, Macri disse que irá para a China com a mensagem de que a Argentina está interessada em trabalhar com os países ricos do G20.

"Há uma sociedade que está amadurecendo. Os argentinos estão crescendo. Isso é o que espero transmitir quando partir para a China. Lá vou lhes dizer que entendemos, aprendemos", afirmou o presidente, referindo-se à virada na política comercial e na diplomacia desde sua posse em 10 de dezembro passado, depois de 12 anos de políticas protecionistas.

Macri explicou que vai à cúpula do G-20 "para lhes dizer que queremos trabalhar junto com eles e que abrimos nossos braços para que eles venham trabalhar conosco nesse maravilhoso país".

A Argentina precisa de investimentos para reativar uma economia em recessão e com forte déficit fiscal, com queda do consumo e do emprego.

Primeiro destino: Catar

Não é pouco o interesse que desperta no governo a primeira escala no Catar. Em Doha, Macri se reunirá com o emir Tamim bin Hamad, com quem já havia se encontrado em 28 de julho, em Buenos Aires, e acertado dinamizar a relação bilateral.

Na ocasião, contemplou-se a chegada à Argentina, nos próximos meses, de delegações técnicas e empresariais catarianas para avançar na assinatura de acordos de investimentos e cooperação tarifária.

"Desta vez, é uma reunião de chefes de Estado. Não há uma comitiva de empresas e, certamente, deve-se à muito boa visita anterior, em Buenos Aires", disse à AFP o presidente do Conselho de Líderes do Golfo e da América Latina, Daniel Melhem.

À frente da fundação Argentina Day, que pretende promover o "relançamento" do país, o empresário celebra que Macri tenha "mudado a cara da Argentina perante o mundo em apenas oito meses" de governo.

"No Catar, há um grande interesse para investir na Argentina, em particular, nos setores de hidrocarbonetos, agropecuário e imobiliário", afirmou, apesar - segundo ele - "de alguns problemas para resolver, como a inflação e o custo tarifário".

A Argentina registrou uma alta inflação de 28,7% no primeiro semestre, que supera 40% em um ano, muito acima dos 25% previstos para o governo para todo 2016.

China, G-20 e as bilaterais

Além das reuniões do G-20, que contará com a participação de Macri em um dos painéis, o governo argentino põe ênfase especial às reuniões do presidente em paralelo à cúpula.

Em sua agenda lotada, estão previstas reuniões bilaterais com os chefes de Estado Xi Jinping, da China, e Vladimir Putin, da Rússia, assim como com os primeiros-ministros da Índia, Narendra Moodi, da Coreia do Sul, Hwang Kyo-Ahan, e Malcolm Turnbull, da Austrália. Macri se reúne ainda com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Em carta à chanceler Susana Malcorra, empresários argentinos manifestaram sua preocupação com a abertura aos produtos chineses. O governo se comprometeu a "sob nenhum aspecto sacrificar a produção e a indústria argentinas", disse o ministro da Produção, Francisco Cabrera.

"A realidade de funcionamento da economia chinesa mostra que a produção de bens se realiza em condições que não podem ser consideradas como de economia de mercado", advertiu a poderosa União Industrial Argentina (UIA).

A UIA alega que os bens chineses "são exportados a preços irrisoriamente baixos e em condições de concorrência desleal", o que "impactará de forma imediata, desde já negativa, o tecido produtivo da indústria nacional e os postos de trabalho que o sustentam".

Segundo a UIA, a China aumentou de 5,2%, em 2003, para 19,7%, em 2015, sua participação nas importações argentinas. De acordo com a instituição, 75% do que a Argentina exporta para os chineses são feijões e óleo de soja, importando produtos manufaturados.

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