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O ministro argentino da Fazenda, Alfonso Prat-Gay (E), e o presidente argentino, Mauricio Macri, em Olivos, província de Buenos Aires, no dia 6 de maio de 2016

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A Argentina fez reformas econômicas desde a posse do presidente de centro-direita Mauricio Macri, mas, para preservar a produção local, não considera suspender as barreiras comerciais tão rápido - disse nesta quarta-feira (3) o ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay.

"Vamos de uma economia fechada e rentista para uma economia competitiva (...) Não vamos para uma abertura comercial selvagem, mas com uma ideia de nos integrarmos inteligentemente ao mundo", disse o ministro a jornalistas estrangeiros.

Ele afirmou que o governo dará tempo às empresas argentinas para ganhar em competitividade antes de liberalizar mais os intercâmbios comerciais.

O governo faz um balanço econômico catastrófico de sua antecessora, a ex-presidente Cristina Kirchner, no poder entre 2007 e 2015, e de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007).

As reformas mais emblemáticas postas em andamento desde o início do mandato Macri, em dezembro, foram o fim do controle cambial, o corte dos subsídios às contas de gás, energia elétrica e água, que levou a um aumento brutal das tarifas, e a forte redução de impostos para as exportações agrícolas e industriais.

"Precisava organizar a desordem", afirmou Prat-Gay.

As reformas impopulares estimularam a inflação e reduziram o poder aquisitivo de cerca de 41 milhões de argentinos.

A meta anunciada em janeiro de chegar em 2016 a uma inflação de 20%, ou 25%, é insustentável, mas o ministro acredita que esteja se contendo.

Em relação aos investimentos estrangeiros, Prat-Gay garantiu que estão chegando à Argentina "a um ritmo de pelo menos US$ 1 bilhão por semana, isto é, 50 bilhões por ano".

"Vamos restaurando a confiança. A Argentina era pária no concerto internacional de nações. Quando você olha o fluxo de investimento estrangeiro direto, na primeira metade do ano, duplicou em relação à primeira metade do ano passado", afirmou.

Desde o início da gestão do presidente Macri, a Argentina recebeu um fluxo de US$ 31 bilhões, por intermédio da dívida de US$ 20 bilhões contraída pelo Estado, dos quais US$ 11 bilhões foram usados para resolver o conflito da dívida externa com fundos credores nos Estados Unidos, assim como de US$ 6 bilhões, pelas províncias, e de US$ 5 bilhões, pelas empresas.

Segundo o ministro, os primeiros sinais de recuperação se dão "no interior, graças à potencialidade do campo", em alusão ao setor agrícola, pilar da economia argentina.

Já a siderurgia, a indústria automotiva e o setor da construção sofrem o freio da economia. Depois de 12 anos de crescimento sustentado, a Argentina vê diante de si um difícil 2016 e um retrocesso do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 0,5%, de acordo com o Banco Mundial, e de 1,5%, segundo previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os analistas preveem a recuperação da economia em 2017, e o presidente argentino aposta em um crescimento de 3%.

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