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(Arquivo) O ex-presidente italiano Carlo Azeglio Ciampi, em Tallinn, Estônia, no dia 20 de abril de 2004

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O ex-presidente italiano Carlo Azeglio Ciampi, uma autoridade moral em seu país, faleceu nesta sexta-feira aos 95 anos, anunciou o chefe de governo, Matteo Renzi.

"Uma recordação agradecida ao homem das instituições que serviu à Itália com paixão", escreveu Renzi no Twitter, onde o ministro das Relações Exteriores, Paolo Gentiloni, prestou homenagem a "um exemplo de coerência, competência e dignidade. Um grande estadista italiano".

Já o presidente da República, Sergio Mattarela, declarou que "os italianos não o esquecerão. Era um exemplo de competência, dedicação, generosidade e paixão".

Principal artífice da entrada da Itália no euro e respeitado de forma unânime em seu país, Ciampi entrou na política muito tarde, aos 72 anos, ao tomar as rédeas de um governo de transição em abril de 1993.

Em uma Itália em plena tempestade com a operação anticorrupção "Mani Pulite" (Mãos Limpas), este servidor do Estado que não pertencia a nenhuma família política e que havia sido durante 14 anos governador do Banco Central lançou as reformas institucionais apoiadas pelo país e defendeu a lira.

Com a chegada de Silvio Berlusconi à frente do governo, em maio de 1994, voltou a se converter em simples cidadão e não reapareceu na política até maio de 1996, à frente de um superministério de Economia de efêmeros governos de centro-esquerda, antes de ser eleito triunfalmente como presidente da República em 1999.

Afável e reservado, Ciampi atuou em muitas ocasiões durante os sete anos em que ocupou a presidência, convocando constantemente a ordem a Berlusconi, que acabava de voltar ao poder, em particular em matéria de imprensa, justiça, imigração e assuntos europeus.

O ex-presidente morreu em uma clínica de Roma onde estava internado há semanas. Seu funeral será realizado na capital.

Nascido em 9 de dezembro de 1920 em Livorno, Toscana, teve a cargo por anos a política monetária e financeira da Itália - de 1978 e 1993 - como governador do Banco da Itália, e precisou enfrentar diversas crises, entre elas a desvalorização da lira em 1992.

Formado pelos jesuítas, estreitamente vinculado ao antifascista Guido Calogero, seu professor na prestigiada Escola Normal de Pisa (Toscana), foi recrutado em 1941 pelo exército italiano como piloto na Albânia.

Ao retornar, se uniu às fileiras da resistência contra o regime fascista de Benito Mussolini e, ao fim da guerra, se transferiu a Livorno, onde se formou como advogado com uma tese sobre a lei eclesiástica. Ali se casou com sua esposa Franca, com quem teve dois filhos.

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