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(Arquivo) Foto tirada em 30 de agosto de 2012 do cineasta Michael Cimino durante o 69º Festival de Filmes de Veneza, em Veneza-Lido

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O cineasta americano Michael Cimino, diretor do famoso filme vencedor do Oscar sobre a guerra do Vietnã "O Franco Atirador" e que depois acumulou grandes fracassos de bilheteria, morreu no sábado aos 77 anos.

Sua morte foi informada inicialmente pelo diretor do festival de Cannes, Thierry Fremaux, e pelo jornal The New York Times, e depois foi confirmada pelo tenente B. Kim do escritório de medicina forense do condado de Los Angeles.

Kim disse à AFP que Cimino foi encontrado morto em sua casa de Beverly Hills, Los Angeles, mas as causas da morte ainda não foram determinadas.

O Times citou o amigo e ex-advogado do cineasta, Eric Weismann, que disse que o corpo de Cimino foi encontrado em sua casa depois que vários amigos não conseguiram contactá-lo por telefone.

Cimino saltou à fama em 1978 com o filme "O Franco Atirador", que retrata a guerra do Vietnã com toda a sua crueza através da história de três amigos da Pensilvânia.

Em uma das cenas do filme, os personagens encarnados por Robert De Niro e Christopher Walken, prisioneiros dos vietnamitas do norte durante a guerra, jogam roleta russa um contra o outro.

"Nosso trabalho juntos é algo que sempre lembrarei. Sentiremos sua falta", declarou De Niro no sábado.

Além do Oscar de melhor filme, "O Franco Atirador" também conquistou as estatuetas de melhor diretor, melhor ator coadjuvante (Christopher Walken), melhor som e melhor edição.

O filme seguinte de Cimino, "O Portal do Paraíso", que estreou em 1980, esteve apenas uma semana em cartaz. Este western de três horas e meia de duração ambientado no Wyoming do fim do século XIX recebeu críticas terríveis e foi um fracasso financeiro que levou a United Artists à falência.

A United Artists, que tinha um histórico de dar aos diretores muita liberdade criativa, agiu desta forma com Cimino com base em seu grande sucesso com "O Franco Atirador".

Cimino contava com um orçamento de 12 milhões de dólares e três meses para rodar o filme, mas gastou mais de 40 milhões e demorou mais de um ano nas filmagens, lembrou o Times.

A revista especializada Variety indicou que este filme era "sinônimo de desastre no mundo do espetáculo".

De "maldito" a filme de culto

Em uma entrevista à Vanity Fair em 2010, Cimino disse esperar que algum dia seu filme fosse reconhecido como uma obra-prima. Dois anos mais tarde estreou uma versão integral e restaurada de sua obra "maldita", agora considerada de culto.

Alberto Barber, diretor da Mostra de Veneza, onde foi apresentado, classificou na época de "obra-prima" esta evocação do combate entre os ricos agricultores do Wyoming e os imigrantes da Europa Central.

Após o fracasso de "O Portal do Paraíso", Cimino demorou cinco anos para estrear um novo filme, "O Ano do Dragão" (1985), sobre a máfia chinesa, muito criticado por seu retrato considerado racista da comunidade asiática.

Os seus três filmes seguintes foram considerados fracassos comerciais: "O Siciliano" (1987), sobre a vida de Salvatore Giuliano; "Horas de Desespero" (1990), um remake de um filme de William Wyler de 1955, e "Na Trilha do Sol" (1996), sua última obra, um "road movie" sobre o povo Navajo nas montanhas do Colorado.

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