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(Arquivo) O líder rebelde servo-croata Goran Hadzic, em Haia, no dia 25 de julho de 2011

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O líder rebelde servo-croata Goran Hadzic, de 57, acusado de crimes de guerra na antiga Iugoslávia (1991-1995), morreu nesta terça-feira (12) - noticiou a agência oficial de notícias Tanjug.

"Goran Hadzic morreu hoje (terça-feira) de uma grave doença", reportou a agência, citando o hospital regional da província de Vojvodina.

Acusado de 14 crimes de guerra e contra a humanidade, Hadzic era associado, principalmente, ao massacre do hospital de Vukovar, um dos episódios mais negros desses sangrentos conflitos étnicos. Depois de se refugiarem em um hospital, no início da guerra em novembro de 1991, 264 pessoas foram espancadas, torturadas e mortas.

Após sete anos foragido, Hadzic foi detido em 2011, sendo o último suspeito entregue à Justiça internacional pelas autoridades sérvias. Aliado do ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic, foi solto em abril de 2015, em função de um câncer no cérebro em estágio avançado. O procurador do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) determinou em maio a interrupção definitiva do julgamento de Hadzic.

Além de Vukovar, ele também era acusado de ser responsável pelo massacre de civis croatas, em outubro de 1991. As vítimas foram obrigadas a caminhar sobre um campo minado, perto da cidade de Lovas, no leste da Croácia.

Hadzic também era suspeito de envolvimento na deportação de milhares de croatas e de outros não-sérvios, com o objetivo de criar um Estado sérvio na Croácia.

Falecido em um hospital em Novi Sad, segundo a agência Tanjug, esse "ex-presidente" da República sérvia autoproclamada de Krajina - não-reconhecida pela comunidade internacional - vivia em sua cidade do norte da Sérvia desde sua soltura.

No leste do país, Krajina chegou a cobrir até um terço do território croata, quando sofreu a contraofensiva vitoriosa das forças croatas em 1993.

Um novo Estado dominado por sérvios

Hadzic colaborava, em especial, com o falecido Zeljko Raznatovic, o ultranacionalista sanguinário "Arkan", cuja milícia dos "Tigres" era temida por seus excessos e por suas operações de "limpeza étnica" na Croácia, na Bósnia e então em Kosovo.

O objetivo de Hadzic era integrar Krajina "a um novo Estado dominado pelos sérvios", segundo a ata de acusação do TPII. Essa entidade foi dissolvida no fim da guerra da Croácia.

Quando foi preso, em julho de 2011, Hadzic era o último dos 161 acusados procurados pelo TPII, criado em Haia, em 1993. Ele foi detido nas montanhas do norte da Sérvia, quando tentava vender uma tela de Modigliani.

Em 24 de março, o ex-chefe político dos sérvios da Bósnia Radovan Karadzic, de 71, foi condenado a 40 anos de prisão por genocídio. Já o ultranacionalista sérvio Vojislav Seselj, de 61, acabou absolvido de todas as acusações que pesavam contra ele.

O ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia Ratko Mladic, de 73, está sendo julgado pelo TPII. O ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic morreu preso, em 2006, aos 64, antes do fim de seu processo nesse tribunal por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade.

"Arkan" foi assassinado em janeiro de 2000, em Belgrado, alguns meses antes da queda de Slobodan Milosevic. O motivo desse homicídio nunca foi esclarecido.

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