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O diretor chileno Pablo Larraín e a atriz Natalie Portman, em Veneza, no dia 7 de setembro de 2016

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O diretor chileno Pablo Larraín entrou, nesta quarta-feira, na lista dos favoritos ao Leão de Ouro em Veneza ao explorar o mito de Jacqueline Kennedy em "Jackie", um filme que conta com a magnífica atuação de Natalie Portman.

"Jackie" relata os quatro dias posteriores ao assassinato em 1963 do presidente americano John F. Kennedy pelo olhar de sua esposa Jackie, testemunha da dramática morte do governante em Dallas, um fato que marcou a história do século XX.

"Não quis ser famosa, é que sou uma Kennedy", confessa Jackie ao padre antes do solene e espetacular funeral com cavalos e procissão que batalhou para obter, resumindo o papel complexo e difícil que a história deu à viúva do então presidente mais poderoso do mundo.

Para muitos a atuação de Portman pode não apenas render o prêmio de melhor atriz em Veneza, mas também seu segundo Oscar de interpretação, depois do que obteve em 2011 por "Cisne Negro".

"É um filme redundante, com uma Portman espetacular", comentou à AFP após sua primeira exibição à imprensa o crítico italiano da RaiNews, Francesco Gatti.

O diretor chileno Pablo Larraín, 40 anos, vencedor em 2015 do Urso de Prata do Festival de Berlim com "O Clube", sobre a pedofilia dentro da Igreja, estreia assim em Hollywood e chega ao mercado americano com um filme rodado em inglês e que encara um ídolo enigmático e complexo.

A linguagem pouco convencional de Larraín, seu conhecido ritmo angustiante ao ritmo da música obsessiva de Mica Levi, a excelente fotografia do francês Stephane Fontaine e a atuação da atriz americana confirmam o talento do cineasta chileno.

Recebido com aplausos e algumas poucas vaias, "Jackie" parte de uma entrevista concedida depois da morte de seu marido a um jornalista, usa flashbacks do momento do ataque e mostra como esta mulher culta e subestimada se transforma em alguém cínico e frio para defender a imagem de seu marido.

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