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(Arquivo) Um funcionário norte-coreano baseado na União Europeia e envolvido na gestão de um caixa dois de divisas estrangeiras do regime de Pyongyang fugiu levando uma grande quantidade de dinheiro

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Um funcionário norte-coreano baseado na União Europeia e envolvido na gestão de um "caixa dois" de divisas estrangeiras do regime de Pyongyang fugiu levando uma grande quantidade de dinheiro, afirmaram nesta sexta-feira meios de comunicação sul-coreanos.

Esta informação foi divulgada dias após a deserção do número dois da embaixada norte-coreana no Reino Unido, Thae Yong-Ho, um dos diplomatas de mais alto escalão do Norte a trair o regime.

Segundo a agência Yonhap e o jornal Dong-A Ilbo, que citam fontes não identificadas, o desertor está "sob proteção" em um país europeu que não foi divulgado.

O ministério sul-coreano da Unificação se absteve de fazer qualquer comentário.

Os dois meios de comunicação divergem em alguns pontos. A agência Yonhap afirma que este responsável desapareceu no ano passado com vários milhões de dólares. Já o jornal Dong-A ilbo garante que fugiu com 400 milhões de dólares e que Pyongyang lançou uma gigantesca busca.

Os dois meios de comunicação o apresentam como um representante do Escritório 39, uma organização secreta que pertence ao Partido dos Trabalhadores e cujo objetivo é alimentar um "caixa dois" destinado aos líderes do regime.

Os serviços de inteligência americanos acusam o Escritório 39 de supervisionar várias atividades ilegais, como a falsificação de dinheiro ou o tráfico de drogas.

Os dois meios de comunicação dizem que este funcionário viveu durante duas décadas na Europa, mas não dão detalhes sobre os cargos oficiais que ocupou.

A Yonhap informa que pediu asilo inicialmente aos Estados Unidos, que recusaram a solicitação.

A Coreia do Sul anunciou na quarta-feira a deserção do embaixador adjunto da Coreia do Norte na Grã-Bretanha, Thae Yong-Ho, com sua esposa e seus dois filhos.

"Para explicar sua deserção, o ministro Thae citou seu asco pelo regime (do líder norte-coreano) Kim Jong-Un, sua admiração pelo sistema livre e democrático da Coreia do Sul e o futuro de sua família", informou o governo sul-coreano através de seu porta-voz.

Vários casos de deserções vieram à tona nos últimos meses. Um dos de mais destaque foi o caso em abril de 12 garçonetes de um restaurante norte-coreano na China.

Em julho, a imprensa de Hong Kong anunciou a deserção de um estudante norte-coreano de 18 anos que visitava esta ex-colônia britânica para participar de um concurso internacional de matemática.

Ao longo dos anos, cerca de 30.000 norte-coreanos fugiram da pobreza e da repressão de seu país e se estabeleceram no Sul.

No entanto, o número de desertores - que já chegou a mais de 2.000 por ano - caiu para quase a metade desde que Kim Jong-Un assumiu o poder, após a morte de seu pai e ex-líder Kim Jong-Il, em dezembro de 2011.

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